Insuportável mundo novo

Um viva aos emos! Incrédulo, precisei de alguns anos para perceber que a turminha chorosa de cabelos lambidos e musiquinhas melosas pode vir a ser a boa e orgulhosa lembrança dessa geração. Sim. Porque a turba ignara, que sai do chão com os refrões de vogais do axé, que se encanta com os ganidos breganejos e acha que o forrobodó eletrônico é roots, não vai ter nada para contar aos seus filhos e netos. Só terão o que esquecer e do que se envergonhar. Um planeta desconhecido, distante, de órbita demorada, parece ter marcado e amaldiçoado milhões. Um podre coletivo que terá consequências muito piores que as atuais.

Tenho alguma esperança naqueles que ainda não chegaram à adolescência. E alguma confiança que os da minha geração que demoraram a ser pais ajudem a fazer dos anos 10 deste século uma década na qual os jovens voltem a fazer sinapses. E pensar que nos anos 80 nos assustávamos quando nascia uma criança sem cérebro em Cubatão! Como deixamos isso se tornar uma epidemia sem controle? A imbecilidade fez mais vítimas que a AIDS, o câncer, o aquecimento global, o fumo, as drogas, o trânsito e as guerras juntos.

Esta será lembrada como uma era de descerebração. Uma época inútil, vazia, verdadeiramente perdida. A cultura da idiotização faz dos adolescentes seres incapazes de ouvir, de aprender, de buscar, de comparar e até de apenas pensar. Não existe qualquer busca por valores. Existe apenas a necessidade de ser reconhecido e aceito como mais um idiota.

Estou falando apenas de cultura musical. Dispenso maiores considerações sobre formas menos populares de conhecimento e manifestação artística. Em geral, estão muito além da compreensão do adolescente mediano, que não lê, não sabe buscar informação (em um mundo onde ela se tornou mais acessível que o oxigênio), acredita que teatro é uma brincadeira para se fazer rir,…

Viva o NX Zero! Viva o CPM 22, o Fresno, o Tokio Hotel e qualquer outra bandinha fake, arremedo de rebeldia. Já que vivi – e sobrevivi! – para ver Xoelma destruindo as músicas do Paralamas e Herbert Vianna convidar a todos para dançar o Apocalipso, qualquer coisa está valendo.

Definitivamenre, rock’n’roll é coisa de tiozão. Tio Sandro afere, confere, reitera e ratifica. E reza, pois acredita serem os apelos mundanos quase sempre mais fortes que o sangue e a educação que se deseja aos seus.

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8 respostas a Insuportável mundo novo

  1. Carolina disse:

    Poxa, Lobão! Logo agora que eu ía te chamar pra curtir o Carnatal? rs…beijo, e apareça!

  2. Carolina disse:

    Só pra registrar: Marina canta Cartola, viu? Não é axé, nem emo…ainda bem que o mundo está cheio de opções!rs.

  3. Amigo, você está ficando velho… e rabujento!

    Bem-vindo ao clube 🙂

  4. Back in track! Este é o Sandro que um dia virou-se para mim e disse: “it’s a mission from God!” Sei, sei… acho que Deus já abandonou este tal projeto Terra há muito.

    Pensando bem, creio que a louca e niilista primeira metade da década de 90, afinal rendeu as últimas lufadas de ar fresco culturalmente. Para ficar só na cultura musical.

    Depois foi o sargaço. Aquilo que sobra depois de uma maré alta com o mar cheio de detritos. Os emos são talvez a única esperança. Pelo menos no meu tempo (não se chamavam emos) eram dos poucos que liam alguma coisa fora legendas da tv.

    Caso não forem… aí estamos mesmo ferrados! Resta-nos a nostalgia da modernidade que foi o rock and roll. E um bom pick up pra fazer estalar uns vinis. Há droga mais eficiente?
    Welcome back, soldier!

  5. Diego Viana disse:

    Rapaz! Ficou sumido um tempinho, mas voltou de sola. Acho que está explicada a luta dos reaças pra impedir o aborto de anencéfalos: hoje em dia, seria genocídio!

  6. Wilson Natal disse:

    Em tempos de comodismo, qualquer pensamento mais profundo é masoquismo. E pensar dói!
    Confúcio disse(Se não disse, com certeza teria dito.): No final dos tempos todas as mulheres serão loiras. E os homens também serão loiras! Ou seja: Qualquer coisa serve para dar sentido às vidinhas insípidas. Dizem por aí que Elvis não morreu. E eu digo: Quem bom que Elvis morreu. Não teve que ouvir toda essa merda que circula por aí…
    Não existe mais o “gosto musical particular”. Gostando ou não é preciso estar “in”.
    Eu aceito todo o tipo de inovação e experimentação musical. Só não aceito merda com trilha sonora. Isso eu não mereço e ninguém merece!
    Sabe o que é mais triste nessa atual conjuntura musical? É saber que existe um “montão” de músicos fazendo coisas boas e que nós nunca ouvimos falar deles…
    Abração.

  7. Renata Silveira disse:

    Se o termo para urbanodepressivos, que nos 80 eram chamados darks, hoje é emo, eu sou emo! Uma emo de 30 e tantos, vá lá, mas com o mesmo esppírito inconformista, platônica até a raíz dos meus cabelos azuis!!

  8. Patrício disse:

    Amigo Lobo, concordo tão plenamente que chego a ser ranzinza ao concordar. Leia meu texto “Eu gosto dos emos” e você vai entender minha concordância veemente. Segue link: http://blogdopatricio.blogspot.com/2007/06/eu-gosto-dos-emos.html

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