Vô Moacyr versão 8.8

Nesse 4 de agosto, meu avô Moacyr completou 88 anos. Toda vez que ele faz aniversário, penso sobre o que se pode fazer com tanto tempo de vida. Ainda estou a quase uma década de metade disso. Penso que minha vida nem começou.

Também penso no que pode não se fazer. Meu avô ainda tem uma boa aparência, mas está bem caidinho. Passa a maior parte do tempo deitado, dormindo ou vendo tevê. Tem dificuldade em diferenciar os dois únicos netos e embaralha todas as histórias que viveu: pessoas, lugares, épocas.

Quando perguntei quantos anos estava fazendo, respondeu cheio de certeza: 71. Não estava brincando. Ele estava certo disso. Quando eu disse que estava fazendo 88, reagiu com a mesma convicção: Mas não é mesmo!

Vô Moacyr parece ter terminado sua história em 1991, quando ainda estava bem ativo, trabalhando, pegando seu ônibus para gravar algum programa ou comercial na Globo. A toda hora ele folheia revistas nas quais aparece em fotonovelas, mostra a alguém, diz que era um tempo muito bom e que tem “uma pilha assim de revistas no Rio, que eu pego quando quiser”.

Em seu quartinho, perdido no tempo e zapeando na tevê, ele nem imagina que aparece no Canal CineBrasil com alguma frequência. Outro dia reconheci seus cabelos grisalhos numa correria de jornalistas em uma cena de O Caso Cláudia (1979). Fazia as vezes de fotógrafo. Na primeira foto da sequência acima ele aparece (no canto direito) em uma cena de A Dama do Lotação (1978). Na segunda foto (ele é o da direita), dá uma idéia de como o neto ficará vestindo o fardão da ABL. Na terceira, nós dois no último dia 4: ele com 71, eu com 19 anos. Em algum lugar no tempo, isso faz todo sentido.

Esta entrada foi publicada em Aniversário. Adicione o link permanente aos seus favoritos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *