Dos mestres com carinho

Caí sem avisos no primeiro dia do II Festival Literário de Natal. Aquela segunda, 4 de agosto, escondia surpresas e momentos desses que devem ser guardados em relicários.

Antes da abertura do Festival, aproveitando a solicitação apressada de alguns a Nei Leandro de Castro para que autografasse seus exemplares da nova edição de O Dia das Moscas, apresentei meus dois exemplares: o novo e um da primeira edição, lançada 25 anos antes pela Codecri.

A situação única e provavelmente inesperada, valeu uma dedicatória carinhosa do autor:

Para Sandro, que está lendo este livro aos 5 anos de idade , o abraço de Nei Leandro – Natal, 4.08.1983

Além da gentileza de me deixar com 30 anos quando já enxergo uma década a mais se aproximando, as palavras de Nei me deixaram como o primeiro a ter um exemplar de O Dia das Moscas autografado. O lançamento aconteceu no Rio de Janeiro no final de agosto de 1983.

Em seguida, Nei abriu a Feira falando principalmente sobre As Pelejas de Ojuara e sua adaptação para o cinema (O homem que desafiou o diabo). O escritor sempre foi reconhecido por seus iguais, mas “o povo” – principalmente o de Natal, que exige muitos leões mortos em savanas distantes para lançar um rápido olhar de admiração – estava lá para ver quem escreveu aquela historieta mostrada por maus atores. Historieta que NÃO foi escrita por ele, pois, tirando seus minutos iniciais, a adaptação está longe de fazer jus à tremenda história contada nas páginas de As Pelejas de Ojuara.

Enquanto isso, bem ao lado, a praça de alimentação do Natal Shopping se converteu em praça de agradáveis encontros e reencontros. Começou com Meire Feia-mas-te-amo Gomes e sua amiga Carol que formaram, junto a mim, uma mesa inusitada na qual se revelou algo, para mim, até então impensável: três pessoas que concordaram, expontaneamente, que o melhor filme brasileiro de todos os tempos é Lavoura Arcaica.

Na seqüência, Cláudio Damasceno, Santo Acácio, Cefas Carvalho e Cláudia Magalhães, Patrício Junior, o grande Canindé Soares e a pequena (no tamanho) Tatiana Lima. Espero não ter esquecido ninguém.

Então chegou a vez do Mago. Não o Coelho, sobre quem escreveu, mas o Mago das biografias. Com um olho no chopp e outro na fila, esperei que essa diminuísse e, mais uma vez, fui para o final. Abri meu coração sujo com Fernando Morais. Se soubesse que ele estaria lá, teria viajado com todos os seus livros para que fossem devidamente autografados. Apresentei-lhe o Memória Viva, falei sobre minhas pesquisas para as biografias de Appe e Carlos Estevão e joguei a culpa de tudo isso sobre ele. Com um sorriso de quem conhece as responsabilidades – as próprias e as alheias – de se contar a vida de alguém, tascou na dedicatória:

Para Sandro Fortunato, que entende disto como ninguém, com o abraço e o carinho de Fernando Morais.

Precisava de algo mais para ganhar o dia e tomar fôlego para os livros que estão por vir?

Aos mestres, meu agradecimento, minha admiração e o reconhecimento da dívida a ser paga com histórias muito bem contadas.

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4 respostas a Dos mestres com carinho

  1. Willian Pinheiro disse:

    Super legal a publicação das actas diurnas. Estou sempre atento a atualizações.

    Sou um leitor ávido de L da C. C., devido a dificuldade de se ter acesso a estas fontes, comecei a colecionar as actas diurnas.

    hoje eu tenho, aproximadamente, mil e cem textos de Cascudo, entre 1928 e 1946.

    caso queira trocar umas idéias sobre o que cascudo escreveu, é só retornar… meu e-mail é w_pinheiro@hotmail.com

  2. Eu estive lá dois dias depois lançando meu livro – 6 de agosto – e não tive o privilégio de ver alguns desses amigos tão queridos. Sempre acho que eu devia ter nascido loura e gostosa, pra tirar a roupa na Playboy e depois ir autografar a revista na Siciliano, como vi aqui em João Pessoa. A fila enorme… Mas quem nasceu para Rita Tushingham jamais chegará a Brigitte Bardot! 😉

  3. Meire disse:

    Quando fala de mim é pra me chamar de feia, né! Huahauauuha.
    TE AMOOOOOOOOOO

  4. Patrício disse:

    Ei, qdo vai rolar o reencontro daquele encontro? Tenho ainda muito a dizer sobre… sobre…. a gente tava falando de que mesmo hein?

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