M. Lobato

Pergunte-se: Quantas pessoas deixaram uma obra que influenciou sua (dela) própria geração, a de seus pais, a sua (sua mesmo), as seguintes e continua se perpetuando?

Meus pais, hoje na casa dos 60, eram criancinhas quando Monteiro Lobato morreu. Meu avô, que completará 88 anos em agosto, nasceu no mesmo ano de Narizinho: 1920.

Monteiro Lobato foi – e continua sendo – meu principal professor. Ensinou-me História, Geografia, Matemática, Gramática,… ensinou-me, principalmente, a sonhar. E se não me ensinou a escrever a culpa é toda de minha incompetência. Mas na matéria Amor à leitura sempre tirei nota dez. Graças a ele.

Vira e mexe, escrevo sobre ele ou sobre o mundo que criou. A mais recente foi há duas semanas, quando o Visconde André Valli se encantou. Há quase dez anos, mantenho um singelo sítio dedicado a ele no Memória Viva. Quando fiz o sítio, sabe-se lá o porquê, dei o final /mlobato ao endereço. O normal seria o nome inteiro, mas achei que ficaria muito grande. Bobagem. É o nome pelo qual é conhecido. Deixei o /mlobato. Isso foi em 1999. Quatro anos depois, tive o privilégio de ter em mãos algumas cartas suas. Algumas datilografadas, outras escritas a mão. Todas enviadas a Câmara Cascudo. Qual não foi minha surpresa ao ver que, na maioria delas, assinava M. Lobato.

Hoje, quando se completa 60 anos em que resolveu deixar este mundo e ir viver com seus personagens, aproveito para reverenciar sua memória e agradecê-lo, mais uma vez, por toda a riqueza de minha infância.

Obrigado, Mestre Lobato.

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6 respostas a M. Lobato

  1. wilson disse:

    Em carta a Érico Veríssimo, escreve o Lobato: “Escrever bem é como mijar.É deixar que flua como a vontade da mijada feliz.”
    Ler é como mijar feliz. Porisso mijei toda a obra de Lobato e ando mijando a obra de muita gente. 🙂
    E neste ano do centenário de Machado de Assis, já estou re-mijando a obra dele.

    Abração.

  2. Chris Angelotti disse:

    Só para variar, adorei seu texto!
    Também compartilho da sua admiração por Lobato ele continua sendo o principal referencial que tenho, para os meus sonhos, para as minhas histórias.
    Lamento que o mundo não o conheça como nós “lobatianos” de carteirinha.
    Ter passado por aqui e ter plantado tanta coisa boa é de ficar satisfeito,onde quer que M. Lobato esteja,VALEU MUITO a pena!

  3. joão antonio disse:

    Lobato realmente era um sujeito muito interessante, escrevia de um jeito coloquial, mas culto. Eu diria um falso-coloquial, escorria solto, como uma boa mijada, como lembrava Wilson, sobre carta do Lobato a Érico.
    Mas como todo ser humano era um cara muito contraditório, ao mesmo tempo que era avançado tinha algumas idéias ainda capengas, quer seja, a maneira como ele via os negros. Naturalmente que era uma visão tipica do tempo dele, se vivesse hoje naturalmente colocaria o negro em seus livros num outro esquema.
    Mas claro que tudo que ele fez foi muito bem tramado, lê-se Lobato, acima de tudo, com muito prazer. Meus escritores preferidos, no quesito prazer da leitura, são curiosamente: Érico e Lobato.
    joão

  4. Renata Silveira disse:

    Não há infãncia possível sem Monteiro Lobato. Com ele aprendi a ler e a sonhar. Super-ego Narizinho, Id Emília…

  5. Quem nunca sentiu medo da Cuca na versão televisiva, que atire a primeira pedra de pirlimpimpim narina acima!

  6. Wagner de Oliveira Lima disse:

    Monteiro Lobato é conhecido autor da literatura infanto-juvenil,contudo,ele começou sua vida literária,após um período político,onde esteve até preso,tudo por causa do nosso petróleo,que ele dizia ter em nosso solo,a despeito do governo dizer que não tinha,a denuncia de Monteiro Lobato o levou para a prisão,uma vez livre,começou a escrever as obras literárias que o deixaram famoso,Sítio do Pica-Pau Amarelo,e outros do gênero,grande José Bento Monteiro Lobato.

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