Mil vivas para o Visconde

Asmodeu Rábula – ou terá sido o Mágico? foi rápido, não vi – passou por aqui e roubou outro pedaço de minha infância.

Morei boa parte de meus dias de menino no Sítio. E não era com o outro menino minha identificação maior. Era com o Visconde. Educado, sereno, grande leitor, sempre com respostas para tudo e se não as tinha era questão de tempo.

O Visconde de minha infância é imortal. E o Visconde, como soube mais tarde, chamava-se André Valli, uma dessas pessoas que quebram a tal regra que diz que ninguém é insubstituível. Ninguém vírgula. Visconde só tem um. Não tem desenho de Belmonte, de Leblanc, Manoel Victor Filho ou Seu Ninguém fantasiado, tentando se passar por. Visconde é o André Valli.

Cumpriu muito bem sua sentença e quebrou outra regra ao driblar aquele dito mal irremediável, pois sempre estará vivo em nossos corações.

Minhas orações, meus agradecimentos. Obrigado, sábio Visconde de Sabugosa, cavaleiro andante das paragens de minha meninice. Mil vezes obrigado.

Esta entrada foi publicada em Memória. Adicione o link permanente aos seus favoritos.

10 respostas a Mil vivas para o Visconde

  1. wilson disse:

    Faleceu na Cidade do Rio de Janeiro Sua Excelência, o Visconde de Sabugosa. Filho do Senhor José Bento Monteiro Lobato. Morreu a poucos dias do 60º aniversário da morte do seu Pai…
    Poderia, além desse arremedo de notícia fúnebre, falar muita coisa. Mas não vou.
    Eu e os da minha geração, perdemos a nossa Emília, nossa Nastácia, nosso Visconde e o nosso Rabicó. E não há consolo, não há aceitação para esse tipo de perda. Então, como consolar as novas gerações?
    Vão-se os Viscondes da vida. E deixam-nos em testamento, a riquesa das lembranças.
    Abração,

  2. wilson disse:

    Um adendo: Leia-se riqueza. 🙂 Como diria Odorico Paraguaçu, “estou sofrendo de dislexia tecladística.”

    04 de julho. sessenta anos da morte de Monteiro Lobato. Quero um textículo enorme – daqueles de cabra-macho – sobre ele. Exijo!!! 🙂

    Abração,

  3. João Grando disse:

    Merecida homenagem.
    Devemos agradecer sempre a quem pontua a nossa infância.

  4. joão antonio disse:

    Sandro.
    O André é um puta ator, bem na linha do Cinema Marginal, que assimilava os atores egressos do Teatro de Revista.Colé e outros como José Lewgoy, etc… Lembro daquele ótimo filme do Xavier de Oliveira, o VAMPIRO DE COPACABANA, em que interpretava(uma puta ironia), um playboy casado, em conflito com o casamento. Ele não tem cara de playboy, muito menos de galã. O Xavier ó escolheu pra ironizar mesmo.Naquela fase dos filmes eróticos, comédia carioca de costumes, pra pegar a onda da pornochancachada. Era magro e não tinha fisico de galã. Trabalhou muito em novela também, mas de repente sumiu, creio que foi no começo dos anos 1980. Ouvi falar que ele foi internado num hospicio.Parece que perdeu a memória e não deixaram ele sair de lá. Como é possivel este hospicio não reconhecer o Visconde?Acho que eles é que piraram. Não sei direito esta história, pode até ser loucura de minha cabeça. Também não sei onde ouvi isto.Alguém sabe direito esta história?
    Afinal, André está vivo?
    abrço
    jo/ao

  5. joão antonio disse:

    Sandro.
    Agora deu de aparecer JOÃO GRANDO, no começo. Que diabos é isto, uma corruptela de JOÃO GRANDÃO? Olha, o que vo^cê fez foi um obituário poético do André? Ele morreu? Não tenho noiticias dele há décadas.
    abraço
    joão

  6. joão antonio disse:

    Sandro.
    Que diabos, uma hora aparece JOÃO GRANDO, no by, e outra JOÃO ANTONIO. Que maluquice é esta?
    risos
    joão

  7. joão antonio disse:

    Sandrto.
    Agora eu entendi. Há um outro JOÃO GRANDO, meu colega leitor de seu blog. Ocorre que ele estava antes de mim. Eu confundi com o meu post.
    ab
    joão

  8. Sandro Fortunato disse:

    “Cumpriu sua sentença e encontrou-se com o único mal irremediável, aquilo que é a marca do nosso estranho destino sobre a terra, aquele fato sem explicação que iguala tudo o que é vivo num só rebanho de condenados”.

    André morreu no dia 20 deste mês, JOÃO (que não é o Grando e nem o Grandão). E ele não enlouqueceu nem estava sumido. Fez várias novelas na Globo e na Record nos últimos anos, além de mini-séries, como Hoje é Dia de Maria.

  9. joão antonio disse:

    Sandro.
    Mas houve sim um interregno na carreira dele, no começo dos anos 1980, creio, e foi daí que saiu esta história. Não sei quem contou isto, minha memória tá fraca.
    abraço
    joão

  10. márcia disse:

    “Pobre de mim, Emília que traga uma notícia boa/Pirlimpimpim/Se não chover é vento ou é garoa…”
    Nesses últimos dias, nem Emília, nem a notícia boa, que no entanto – quero crer – logo virá.
    Eternamente Sítio, eternamente Lobato. A estante os guarda, com ar de santuário, ansiosa para apresentá-los à minha neta Marina. E assim pensando, volto no tempo, onde acho o Visconde, vivinho da silva.
    Márcia

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *