Para gostar de ler 1 – É DE PEQUENO…

Costumo dizer que sou da “geração de transição”. Da última que leu. Logo depois, os livros cederam sua função de educadores à televisão. O resto, todos já sabemos. Ou não.

Não nasci em uma casa com livros. Mas nos anos 70 ainda existiam os vendedores de enciclopédias e coleções que iam de porta em porta. A intenção era prover o próprio sustento, mas sem querer colaboraram para que muita gente adquirisse o hábito de ler.

Um leitor se faz de pequeno. O que não quer dizer, em absoluto, que não se possa começar a qualquer instante. Mas quem começa mais cedo leva muita vantagem.

Uma criança não tem – ou pelo menos não deveria ter – com o que se preocupar. Sua cabeça é como um pote que veio ao mundo totalmente vazio. Um pote forte, vigoroso, capaz de guardar qualquer coisa. O que vamos colocar dentro dele e quando começaremos a fazer isso são dois pontos importantíssimos. Isso fará toda a diferença e determinará se a criança se tornará ou não um leitor.

Dia desses, vi Marina Colasanti dizer que o transmissor (…) tem que ser um apaixonado por leitura senão a coisa não anda. Então, um conselho aos pais: não esperem que seus filhos aprendam isso na escola. Eles podem ter a sorte de encontrar um professor que goste de ler e incentive tal prática, mas isso, infelizmente, é raro. Portanto, faça isso você mesmo. Assuma essa responsabilidade. E se você não gosta de ler, aproveite a oportunidade e aprenda. Se não por você, por seus filhos.

Quando me perguntam o que desejo que meus filhos sejam, sempre respondo: “O que eles quiserem desde que saibam ler”. Digo isso porque, por conta do Memória Viva, recebo muitos e-mails de pessoas que estão fazendo trabalho de conclusão de curso, mestrado ou mesmo doutorado pedindo algum tipo de auxílio para suas pesquisas. Em geral, elas demonstram muita dificuldade em conseguir o material que precisam para seus estudos. Isso se deve, principalmente, ao fato de que não aprenderam a ler. Isso mesmo: NÃO APRENDERAM A LER. Têm títulos de graduação, de mestrado, de doutorado e não sabem ler. São alfabetizadas, claro, mas não sabem ler. Por isso encontram dificuldades ao pesquisar. Elas não têm um mundo de informações que deveriam ter adquirido pelo hábito de leitura, não sabem como buscar informações e, quando as encontram, têm dificuldade em entendê-las. Tudo isso porque não aprenderam a ler corretamente. Não se exercitaram para isso. Não praticaram com a devida determinação algo que é pré-requisito para todas as outras etapas de aprendizagem.

Você saber correr, não sabe? Sabe nadar? Isso o qualifica para as provas de atletismo ou de natação nas Olimpíadas? Claro que não. Os atletas que disputam Olimpíadas se preparam para isso desde pequenos. Vivem para isso. Todo atleta exercita seu corpo, seus músculos, toda sua estrutura física para conseguir o melhor proveito na hora de correr, nadar ou participar de qualquer outra competição. Com a leitura é a mesma coisa. É preciso se exercitar desde pequeno e manter um padrão de qualidade desse exercício para que você esteja sempre preparado para tirar o melhor proveito. Ler não é algo só para escritores, jornalistas, filósofos ou outro gênero de maluco. É para todos. Um médico, um engenheiro, um físico, um advogado vai entender melhor qualquer novo conhecimento que chegar a suas mãos, relacionado à sua própria profissão, se souber ler corretamente. E para isso só existe uma maneira: exercitar sempre.

Este blog recebe mais de cem visitas diariamente. Fico me perguntando: quantas lêem um texto até o final? Independente de eu escrever bem ou mal, se a pessoa chegou até aqui é porque se interessou por algo. Aqui ou em outro blog, um artigo no jornal, em uma revista. Refaço – e atualizo – a pergunta: quantas conseguem se concentrar por cinco ou dez minutos para a leitura de um texto?Ah, mas eu já li por alto e não tenho tempo”, dirão alguns. Isto é o equivalente a “na próxima segunda-feira, eu começo o regime” ou “no próximo mês, começo a ir à academia” ou ainda “no ano que vem, vou voltar a estudar”. É só uma desculpa para deixar de lado algo necessário e que faria bem.

Amanhã, no próximo texto, abordo a principal desculpa de que não lê: a falta de tempo.

E se você leu até aqui, esforce-se mais um pouquinho e comente. Mesmo que seja apenas para dizer triunfante: EU LI.

SUGESTÕES
:: Mãe é quem mais incentiva a leitura, mostra pesquisa
:: O saudável hábito de ler (Vídeo – Globo Comunidade)
:: Um incentivador da leitura (Vídeo – Globo Comunidade)
:: Salão do Livro Infantil completa 10 anos (Vídeo – Jornal Nacional)

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12 respostas a Para gostar de ler 1 – É DE PEQUENO…

  1. natalia disse:

    eu li!

  2. Também eu li!
    E gostei muito…
    Beijo.
    Zi

  3. François disse:

    Li e ainda tive uma idéia do que fazer na aposentadoria: vou ser traficante de tempo! Vendo a um preço camarada todo o tempo que tiver pra quem não tem. “Compre 5 minutos e leve 30 segundos de graça!” hohoho

  4. Priscilla Correia disse:

    Eu li….aliás sempre leio, rsrs.
    Concordo com você, caro Sandro. É de pequeno que aprendemos a ler.
    Sou segundo anista de licenciatura em letras e a abordagem em metodologia de ensino na Língua Portuguesa está voltada totalmente ao hábito de ler. Infelizmente as pessoas além que terem preguiça de ler, sempre acham que aquele assunto não as interessa. Devemos incentivar a leitura, comece lendo o que gosta e logo gostará de tudo. Eu felizmente nasci assim leitora, leio desde pequena. Quando criança mamãe lia para mim e eu pedia a ela para me ensinar esse mágica, quando aprendi não parei mais.
    Obrigada pelo seu contato e uma pena não ter ido ao lançamento eu fui e fiquei muito feliz, pois tinha que comemorar a minha primeira publicação. Tenho dois texto no Entrelinhas, nas páginas 41 e 175.
    Agradeço mais uma vez, beijos em seu coração.
    Priscilla Correia

  5. Márcia Cristina disse:

    Adorei!! E li até o final.
    Gosto muito de ler, confesso, que não leio mais por preguiça…Quando lembro da minha adolescencia, lia quase tudo que encontrava.. E viajava nas leituras.. Imaginava os personagens, as roupas, os lugares..Ficava encantada. E com isso, arriscava até escrever algumas coisas.
    O temnpo foi passando, os estudos ficando cada vez mais pesado. E, aquela leitura que fazia antes , foi diminuindo cada vez mais.
    Hoje, eu lei mais não com aquela imaginação toda..
    Adoro livrarias,o “cheiro de livro novo” (idéias, estórias e novidades), adoro ver capas de livros.. E toda vez que vejo um livro novo, olho a capa e fico imaginando para onde ele pode me levar.
    O estímulo tem que vir desde de cedo.. Fazer a criança viajar com estórias.. Deixar a mente criar, imaginar e flutuar..
    E nesse gancho, apresentar tudo que for possível ao mundinho encantado delas… Mostrar como as coisas funcionam…
    Adorei a matéria e já estou esperando pela próxima matéria..
    Bjs

  6. Dinorah disse:

    Eu li e concordo.com o que disse. Sou nova por aqui, achei o seu blog bem interessante. Gosto de ler e leio um livro até o fim mesmo que não esteja gostando. Já não leio tanto quanto gostaria, a concentração já não é a mesma e a profissão requer dedicação.
    Um abraço

  7. Fábio Bugatti disse:

    Eu li !

  8. wilson disse:

    Vou abrindo meu comentário com uma homenagem a uma das mais maravilhosas mulheres do Brasil. Quem? Quem? Tem corpão? Bundão? Peitão? Saiu na “Play boy”?… Não a todas as perguntas!
    Falo de RUTH ROCHA – a Dona das estórias infanto-juvenís que, em livros, são vendidas aos milhares. Beijão, “tia” Ruth! Te amo de paixão.
    Vamos ao “comment”;
    No princípio era o Verbo!:) Não! Era assim… Pensando melhor era o VERBO! Minha mãe e tias tinham a capacidade e a infinita paciência de contar estórias. Eu e meus primos ficávamos hipnotizados e dávamos asas à imaginação. Psico-pedagogas – sem o ser, atiçavam o nosso gosto pelas estórias. Atrizes – sem o ser, em gestos, movimentos corporais, caras e bocas “temperavam” e davam vida às estórias.
    Depois, vieram os livros com figuras e, junto com mãe e tias criávamos a estória. Meu Deus, como era bom e divertido!
    Todos estávamos na escola. Mãe e tias liam-nos livros de estórias. Derrepente, uma tática revoluciona a reunião: Começam a leitura, seguem por um tempo e obrigam-nos, por revesamento a continuar a leitura. Assim, eu e primos, aprendemos a gostar de livros e leitura.
    Mais tarde, mães e tias comentavam entre sí o livro que tinham lido (todas, por revesamento, liam um livro que depois era comentado.) e que, deixavam estratégicamente em um canto. Quem fosse mais experto, ou mais rápido, pegava o livro e devorava. Depois, de mão em mão, até que o último lesse. Lido, IMITANDO os adultos, comentávamos.
    O tempo passa e Bibliotecas públicas, pessoais; Livrarias; Sebos, começaram a fazer parte da minha vida. Vezes leio pouco, vezes leio muito. Mas estou sempre lendo…:)
    Abração,

  9. Emily disse:

    Eu li!

    Infelizmente, tenho que admitir que acabo pulando muitas coisas quando eu leio. Procuro palavras que considero “importantes” e deixo o resto pra lá.

    Porém, descobri que, quando aprendemos outro idioma, queremos ler tudo! (Bom…esta foi a minha experiência, pelo menos).

    Estou aprendendo português e acho cada palavra fascinante e quero saber o significado. Por isso, acabo lendo textos inteiros (histórias, notícias, postagens no seu blog, por exemplo) para aumentar meu vocabulário. Acho que deveria ser assim até na sua língua nativa! Mas quando você acha que “conhece” todas as palavras, e lê o texto só para pegar informações (em vez de aprender ou aumentar vocabulário), cai nesta rotina ruim.

    Tenho que dizer que esta fascinação com “cada palavra” me ajudou com meu “problema” de pular seções em textos no meu primeiro idioma. Comecei a prestar atenção nos textos em inglês assim como prestava nos de português.

    Mas concordo completamente com você…ler é para todos! (E adorei seus exemplos! Ilustraram o que você quis dizer de uma forma clara e útil).

    Adorei o texto, e sempre leio seu blog! Obrigada por postar artigos tão interessantes. Aprendo bastante com seus textos! 🙂
    Abs
    Emily

  10. j disse:

    concordo plenamente com vc, que vergonha sou professora e não gosto de ler, apartir de hoje vou começar a se dedicar mais a leitura.

  11. tony disse:

    Tem uma parte no texto que diz dos Professores que gostam de ler e que passa esse custume para os alunos. Comigo aconteceu assim ainda me lembro dessa professora ficom grava na minha mente. ainda lembro do primeiro livro. ” A Arvore que dava dinheiro”, depois foi “O grande desafio de pedro bandeira”, e assim foi mais ai vamos relaxando e perdendo o custume. tenho recuperar a motivação e ler mais sabe !

    gostei do blog

  12. George disse:

    É verdade tudo o que vc indagou.mas consequi ler o texto todo. então o negocio é pratica.

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