A guerra é assim

Mais dia, menos dia, a notícia chegaria: vítima de seqüestro mata seqüestrador. Chegou. E não impressiona. A guerra é assim. Sem inocentes. Logo as vítimas começam a se transformar em soldados. As crianças, os jovens, as mulheres. Brutalizados, encurralados, só resta uma coisa a fazer: reagir.

A foto que ilustra o texto foi feita por Hamilton Ribeiro, quando ele cobria a guerra do Vietnam para a revista Realidade, em 1968. Nem precisaria de legenda, mas tinha uma que dizia: Estas crianças nasceram vendo a guerra. E de brincadeira elas imitam os adultos que se matam.

Na guerra é assim. Pensamos estar criando médicos, engenheiros, jornalistas, artistas, doutores em qualquer coisa, mas, sem perceber, estamos criando soldados. Quando Maurício de Souza disse que seu filho de nove anos, quando em cativeiro, “buscava caminhos da fuga”, isto é, prestava atenção nos movimentos dos bandidos para tentar uma oportunidade de fugir, deu prova irrefutável disso. Sem saber, sem querer, estamos criando um exército.

Se um menino rico, filho de um homem que escreve histórias para crianças, aos nove anos de idade já pensa em táticas para escapar do inimigo, é natural que um jovem de 21 anos seja um soldado pronto para matar. Pena que ele tenha sido obrigado a isso. Sorte de ele ter conseguido fazer isso.

Um homem é um lobo é um lobo. Dê alimento e ele crescerá forte e selvagem.

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Uma resposta a A guerra é assim

  1. wilson disse:

    Há um ditado espanhol que diz: “Cria corvos e logo eles comerão os seus olhos.”

    A cada voto vendido, impensado que damos a um político, criamos um corvo.

    Juristas de todo o país lutam pela reforma do Código Penal, mas os Corvos estão impassíveis. Querem apenas devorar nossos olhos… E os cegos saem pela rua, recitando em coro: “A polícia prende e a Justiça solta…” Talvez saiam vestidos com camisetas “eu sou da paz”.

    Então, por que os que ainda enxergam não podem criar lobos? Lobos como os lobos da Palestina que perdem a sua infancia manuseando armas.

    Por que não criar lobos que devorem corvos?

    Quem sabe a ação desse seqüestrado não seja a semente que vai restaurar no Povo o instinto de auto-preservação?

    Afinal, se os políticos nada fazem em relação ao Código, é nosso direito usar de todos os meios que garantam a nossa sobrevivência.

    E, como sou ácido e sarcástico, não poderia deixar de perguntar: Será que o pessoal dos Direitos(?) Humanos e os Eu Sou da Paz, vão sair pela rua, com “banners” e cartazes, lamentado a morte do seqüestrador e ABOMINANDO a “crueldade” do seqüestrado?…

    Cría cuervos, mi hermano. Cría…

    Abração,

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