Mais um ponto para Dilma

Tentei segurar os dedos para não comentar sobre a audiência de Dilma Roussef, ontem, no Senado. Mais precisamente sobre o infeliz momento em que o senador José Agripino usou palavras da ministra em uma entrevista – sobre ter mentido muito quando torturada durante a ditadura – para dizer que tinha “medo de estarmos voltando ao regime de exceção”.

Dos telejornais da noite de ontem aos diários impressos de hoje, todos comentaram sobre a “insensibilidade” do senador. Insensibilidade, não. IMBECILIDADE.

Só mesmo um filhote da ditadura, que teve sua vida política inaugurada como prefeito biônico, poderia fazer uma comparação tão estúpida. Em todos os sentidos. Pelo ridículo de tratar as atrocidades cometidas pela ditadura em “nome da lei e da ordem” como uma situação comum; pela incapacidade de perceber que isso enterraria de vez qualquer possibilidade de ataque à ministra e pela cara-de-pau de ser ele a dizer que “tem medo de estarmos voltando ao regime de exceção”. Vale lembrar: “estado de exceção”, “regime de exceção” são termos água de colônia utilizados para disfarçar o mau cheiro daquilo que atende pelo nome de ditadura. Termos utilizados somente por seus criadores, mantenedores e beneficiários.

A palavra é prata, o silêncio é ouro; há milênios ensina a sabedoria chinesa. Impagável a cara de “Putz, fiz merda!” de Agripino na hora em que Dilma começou a responder. Definitivamente, ele perdeu uma bela oportunidade de ficar calado. Disse o que queria, ouviu o que DEVERIA. O país teve a oportunidade de assistir a uma histórica lição pública, de um reavivamento sobre os absurdos de uma época que não se pode esquecer para que jamais se repita. Pena que os capatazes e o gado estivessem mais concentrados no espetáculo de uma prisão televisionada.

Qualquer pessoa pode ser contrária ao governo que Dilma representa, às suas idéias e até ao seu jeito, mas sua personalidade e seu caráter são admiráveis. Artigos raríssimos no meio político brasileiro.

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2 respostas a Mais um ponto para Dilma

  1. wilson disse:

    O Silêncio é ouro… 😉
    Abração!

  2. antonio barbosa filho disse:

    O Agripino só não voltou ao merecido anonimato porque é muito cara-de-pau e porque a mídia golpista precisa dele. Com sua verborragia e despudor, ele alimenta as campanhas contra o governo eleito, prestando-se a papéis que gente honrada jamais faria. É um bobo da corte. Pelo menos fez a Dilma subir mais uns pontinhos no conceito da população. Bem-feito!

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