Bande Ciné

Música francesa para ser boa só precisa ser francesa. É assim que o ignorante do idioma de Baudelaire aqui pensa. Um dia cheguei, todo “romantiquinho”, com uma seleção para agradar minha esposa (que morou boa parte da infância em Toulouse… “que fica ali pertinho de Lautrec”) e tudo que consegui foi um “essas músicas são muito bregas”. Devem ser mesmo. Por isso digo sempre que a ignorância é uma benção. Sorte de minha esposa que minha preferida é Piaf. Sorte minha que com as deusas ela não se mete.

Mas meus ouvidos recebem amavelmente canções como Je t’aime moi non plus nas vozes de Serge Gainsbourg e Brigitte Bardot. Repetidas vezes. Instala-se o clima de motel barato, de anos 70 (a versão com Brigitte, original, foi gravada em 1968, mas só apareceu em meados da década de 80; a mais conhecida é com Jane Birkin, de 1969), vejo abajur lilás e luzes vermelhas por todos os cantos e acompanho vorazmente os gemidos de Bardot.

Por esses dias descobri a Bande Ciné, um sexteto de Recife que faz releituras de clássicos da música popular francesa, principalmente da década de 1960. E dá-lhe Tu Veux ou Tu veux Pas e Paroles, paroles (outro clássico de motel que eu transformo em “Padoca, padoca” na hora de chamar Pietro para ir à padaria). Todo animado, lá vou eu tentar agradar a madame. “A garota canta super bem, tem um francês ótimo…”. E ela: “Tem não. Fala como brasileiro”. E me olha do mesmo jeito que eu olho para minha filha quando esta vem dizer que fez uma foto com algum débil mental do Big Brother, que ele “é lindo” e me ouve retrucar: “Lindo é o Saramago, filha!”. Sigo néscio e feliz, me fazendo de Alain Delon: Ecoute-moi / Je t’en prie / Je te jure.

Ignorante como eu ou francófono como Madame Anahi, escute Bande Ciné. E se estiver em Recife, confira ao vivo. O sexteto está se apresentando com sucessos de Piaf, todas as terças de maio, no Café Porteño. Eu já estou num pé e n’autre pra ir até lá.

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7 respostas a Bande Ciné

  1. Carlos disse:

    “Lindo é o Saramago, filha!” foi o melhor de tudo! hahaha
    É… o velhinho é “bão mêmo”, pude conhecê-lo no lançamento do livro “As Intermitências da Morte”.

  2. Mayra disse:

    eu gosto da edith piaf, mas concordo que música francesa às vezes é uó.

    em paris, fui a uma boate cujo flyer prometia rock and roll da melhor qualidade. strokes, smiths e até white stripes. o que ouvi nas primeiras TRÊS HORAS foi somente um rockzinho fajuto, mais pro pop, francês. e o pior: TODO MUNDO CANTAVA EM CORO!!! como se fosse “será” do legião em festinhas aqui no brasil.

    não, não foi divertido.

    bjs.

  3. Sandro Fortunato disse:

    Quem lembra desse porre?
    http://www.youtube.com/watch?v=XuP_G5DUMXI
    Jordy cantando “Dur Dur D’être Bébé”

    A criatura ainda vive e ainda assusta:
    http://profile.myspace.com/index.cfm?fuseaction=user.viewprofile&friendid=70416479

  4. Marina disse:

    Nada de francês por aqui,já me aventurei mas não fui seduzida… Pena?

    Mando-lhe está “pérola” deliciosa que encontrei recentemente:

    http://www.theonion.com/content/news/area_eccentric_reads_entire_book

  5. wilson disse:

    Olha as boas Maneiras! Pas Madame Anahi. Elle n’est pas gigollette! Madam’ Fortunato!!!:)
    E Madame Fortunato tem razão. Fica evidente quando alguém fala palavras do tipo “rien” pronunciando Riãn. “ien” tem um som peculiar que só sái da garganta de quem é francês.
    No meu caso, falo muito bem a langue d’Oc, a langue d’Oil e le Provençal… Claro que ninguém me entende. Mas que falo, falo 🙂 🙂 :)E, cá entre nós, me ne freggo se mi capiscono o nò… 😉

    Adoro as músicas francesas do tipo Music Cochon, também conhecidas como músicas colchão. Parole, parole; Je t’aime…; F comme Famme (Par Adamo); Mon Homme, etc.
    Nos anos 60, a mulherada enlouquecia ouvindo as gravações do Ives Montand,com aquela voz de gigolô barato, com o rabo cheio de Absynthe, sussurando palavras lascivas no pé do ouvido das femmes privées de ces homme… Ou seja daquela mulherada sem macho. Adamo tirou o lugar do Ives. Passou a ser a piroca, ops, a voz de ouro das mal-amadas…
    Isso sem contar a voz “me come” da Marie Laforêt…
    E la mome PIAF,claro!
    E, fechando: Padam-Padam, só com Piaf. Ou orquestrada pela petite orchestre do Bebert Ledure, que tocava nos bistrô de Montmartre.
    Et pour finire: Voulez vous couché avec moi, ce soir?… 🙂 🙂 🙂 🙂 Sei o que você vai dizer e concordo: Não tem Gretchen nenhuma essa piada. 🙂
    Abração,ção,ção!

  6. Jordy??? Fala sério… já deve andar na droga!

    O hit parade gaulês lá de casa (onde o cartoon network é tido como muito violento) inclui três blockbusters “trêjolinhos”:

    BEBÉ LILLY
    (http://www.youtube.com/watch?v=PB7BnV7d6EY&feature=related)

    ILONA MITRECEY
    (http://www.youtube.com/watch?v=WkGzOKiWhAU)

    TITOU, LE LAPINOU
    (http://www.youtube.com/watch?v=7EpCEPFpRA8&feature=related)

    Isso sem falar no Pigloo, que tem uns raggas pra fazer qualquer Obelix balançar a pança!

  7. filipe barros disse:

    Valeu velho, bela história com a bande ciné. espero que você chegue um dia no show, se apresente. grande abraço, filipe.

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