Sant’Ana e Zé do Caixão

Fazia tempo que a minguada seção de Teatro potiguar em minhas estantes – perdida ali entre Autores potiguares – não via nada de novo. Pouco mais de dez anos, para ser preciso. A última aquisição havia sido Dramaturgia da Cidade dos Reis Magos, de Sônia Maria de Oliveira Othon. Antes disso, À luz da lua os punhais, peça de Racine Santos, que acompanhei e fotografei, com texto publicado em 1992. E acabou aí a seção de Teatro potiguar. Não menti quando disse que era minguada. Mas não é culpa exclusivamente minha. Publica-se muito pouco a respeito.

Acabo de receber Terra de Sant’Ana, da atriz e dramaturga Cláudia Magalhães. Plaquete editada com cuidado e muito bom gosto, é o primeiro título da Coleção Teatro Potiguar, da Editora Mekong. Acaba de ser lançada, sem alarde, e já pode ser encontrada nas principais livrarias de Natal ou pedida pelos e-mails da autora ou do editor, Cefas Carvalho.

Aliás, junto com a plaquete vieram dois folhetos de cordel assinados por Cefas: A decadência da TV brasileira e esse tal de “Bigue Bróder” e A triste história de Romeu e Julieta no Nordeste. Cefas Carvalho é jornalista, escritor, poeta, editor e tudo mais que se possa fazer juntando palavras e papel. No mundo eletrônico, publica o Texto da Segunda, reunião de textos seus e de outros, enviado leitores famintos. Quando lembra, publica algo também em seu blog.

Há quanto tempo conheço esse espírito irrequieto e indomável, já nem sei. Umas boas duas décadas. Estamos nos devendo uma cervejada cultural. Oportunidades, para breve, há aos montes. Em maio, Cefas lança um livro de contos, em Natal. No final do mês, em São Paulo, há o lançamento da antologia Entrelinhas, da Andross Editora, recheada de contos e microcontos, dois deles especialíssimos, um de Cefas e outro meu. Para junho, dependendo das conversa etílicas, talvez role um mini-lançamento do Entrelinhas, “para poucos e bons”, em Natal. Aviso por aqui.

Da avó de Jesus e mãe de Maria, passando por um filho de padre excomungado (sim, Cefas!), chegamos àquele que à meia-noite encarnará no seu cadáver. Zé do Caixão, pasmem, está lançando um livro para crianças. O livro horripilante de Zé do Caixão reúne contos de terror feitos para a petizada. Depois de cada susto, uma lição sobre amizade, preconceito ou solidariedade.

Agora repare na capa. Mesmo pequena, dá pra perceber que não é qualquer coisa, não? As ilustrações do livro são do francês Laurent Cardon, artista e profissional de primeiríssima linha, que muito gentilmente autorizou o uso de uma obra sua aqui no blog. Logo logo, estará ilustrando um texto sobre leitura. Mesmo que você não goste do Zé do Caixão, nem de histórias de terror ou nem mesmo saiba português, pode comprar porque as ilustrações do Cardon já valem por tudo.

Escreva-me Logo abaixo em  COMMENTS Clique e cadastre seu e-mail
Esta entrada foi publicada em Amigos, Desenho, Literatura, Livros, Teatro. Adicione o link permanente aos seus favoritos.

2 respostas a Sant’Ana e Zé do Caixão

  1. wilson disse:

    Finalmente uma novidade no mercado livreiro! Vovô Zé do Caixão Carochinha deve ser um barato. Claro que, como mais um produto nacional, muita gente vai cair de pau pelo conteúdo. E esses, talvez sejam os mesmos que aplaudem Harry Potter…
    E Zé do Caixão continua sendo “cult” internacional. A qui, não! Santo de casa não faz milagres…

    Abração!

  2. Um dos filmes do Zé do Caixão me chocou muito. É muito forte!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *