Literatura de merda

Cuando don Quijote se vio de aquella manera…

Há coisa que parecem tão absurdas e vergonhosas que devemos esconder de nós mesmos. Mas eis que há sempre alguém que faz algo mais absurdo e vergonhoso do que aquilo que você tentar esconder e ainda divulga. Então você se sente à vontade para falar sobre o que guardava como segredo mortal e já não acha que seja alguma aberração. Então lá vai…

Eu tenho uma pequena coleção de papéis higiênicos.

Não usados, vale ressaltar. Lembro qual foi o primeiro item da coleção: um papel com várias ilustrações, impressas em azul, de um cachorrinho com a língua de fora. Fiquei chocado com aquilo. Pior que a idéia de sujar o pobre o cachorrinho, o fato de ele estar com a língua de fora me causava terrível pena. E aí veio o segundo item: um coelhinho. Todo branquinho, bem fofinho, em alto relevo. Isso me lembrou, agora, a piada do urso atrás da moita. Mas vamos ao terceiro item, aquele que definiu que aquilo seria mesmo uma coleção e que me fez ter vergonha de existir: um papel higiênico com ilustrações em cores do Papai Noel. Foi quando pensei: Se até o Bom Velhinho está na merda, o que será do resto da humanidade?

E agora, da terra de Cervantes, vem a “literatura em papel higiênico”.

Federico García Lorca está na merda. Edgar Alan Poe também. Livros da Bíblia e livros budistas idem. Mas na hora de colocar trechos do Corão, os idealizadores do produto se cagaram de medo. Ficaram com o cu na mão.

É verdade que muito do que se publica por aí deveria servir como papel higiênico. Outras coisas são a própria merda. Como essa idéia da literatura em papel higiênico.

Fico me perguntando até onde vai a graça de algo assim. Eu até poderia comprar para guardar como curiosidade. Sugerir que usassem? Nunca! Usar? Jamais! Não tive coragem de fazer isso com o Papai Noel, imagine com o García Lorca ou com um texto bíblico!

Admira-me ainda mais que isso tenha surgido em um país com tanta tradição e, até então, respeito pela Literatura. Quando li a respeito, lembrei imediatamente da imagem de Dom Quixote chorando, feita por Gustave Doré.

E pensar que, há 400 anos, o mundo inteiro achava que o louco era o cavaleiro andante!

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5 respostas a Literatura de merda

  1. JAL disse:

    Olá Fortunato!
    Acredita que no Japão tem mangá impresso em papel higiênico?
    Para as crianças deveria vir a frase:
    Desenho para colorir

    RêRêRê

    Mas fora isso, quem é a gata que se deixou fotografar em posição tão constrangedora?

    Abraços
    JAL

  2. wilson disse:

    Hoje ir à merda (dar um cagão) virou coisa “très chic”.

    Nós, os réles mortais íamos à merda, lendo e usando quadrados recortados de jornais e revistas, ou simplesmente rasgados das mesmas. Cagar também virou cultura.

    Nessa época eu pensava no quanto eram infelizes os nossos antepassados. Tinham apenas o papel pardo, os grosseiros papéis de embrulho, ou então limpavam-se com o dedo e deixavam nas paredes das latrinas estranhos e singelos desenhos rupestres para a posteridade. Cagar para eles, devia ser um tédio.

    Em virtude desses agradáveis desenhos que evoluíram ao estilo rococó (ou seria rococô), os donos de botequins, pensões, repúblicas,cortiços e mesmo casas, resolveram fazer dos banheiros verdadeiros espaços culturais.

    É mais do que sabido que, um povo que Lê, caga melhor.

    A princípio, em uma caixa ou banco ficavam expostos revistas e jornais. Mas, como o “consumo de literatura” era muito,para maior e melhor atendimento da população, resolveram esquartejar periódicos, diários, semanários e mensários. A aceitação foi imediata. Cagava-se lendo; enquanto fazia-se força, entre peidos sonoros, meditava-se sobre o que se tinha lido e finalizava-se “imprimindo” no papelito a opinião pessoal do que se leu.

    A modernidade trouxe até nos quilometros e quilometros de rolos de papel higiênico: Tico-tico, Sulamérica, Primavera, Neve, etc. E o tédio voltou às latrinas. Cagar virou fobia. Tanto que os que surtaram, passaram a ler livros, revistas,gibís nesse recinto, a conselho de padres, médicos-neurologistas, pisicólogos e pais-de-santo. E o vaso sanitário ganhou estus de de cátedra. O banheiro virou eclética biblioteca.

    Hoje os ricos e esnobes – que sempre procuram alguma coisa “retrô” para alegrar as suas vidinhas insípidas – reinventaram a literatura da merda. Afinal, cú também precisa de cultura.

    Fico imaginando as alfinetadas que uns dão nos outros: “Limpei o meu rabo na Odisséia, versão original!Em Grego!!!” “Te contei? Não? Usei capítulos e capítulos de Dom Casmurro, para limpar o meu cuzinho!…” E a maldosa que ouvia retruca asperamente: “Cuzinho, no seu caso, deve ser uma licença poética. Se cuzinho fosse, certamente bastariam alguns parágrafos…”

    Saudades de limpar o rabo com um pedaço do Notícias Populares… E um desejo muito grande de ver esse pessoal limpado a bunda com o Código de Hamurabi, no original, em argila… 🙂

    Paro por aqui. É sabido que, quanto mais se lida com a merda, mais ela fede…

    Abração 🙂 🙂 🙂

  3. Izilda ( Zi ) disse:

    Mas que idéia de merda!

  4. Olá… Vem cá: Será que esse comentário será moderado ou vou dar vexame (adoro essa palavra, vexame)? Bem, fazer o que, além de seguir ao que me trouxe aqui.
    Modero comentários de baixo para cima, sou nada metódica nem… Bom, amei o seu lá no V.A. e “pimba”! Publiquei. Em seguida, vi que havia outro seu, mas não só denominado de “S”. Foi aí que entendi seu pedido, mas já “foi” tarde, recusei antes de digerir a informação. Então, li o terceiro também seu, fazendo em seguida o que me solicitou, excluindo, o que não adiantou minha obediência, pois que eu já havia feito caca. Desculpe. Volte. Faça contato! Não te encontrei em nenhuma comunidade nem seu perfil de orkut.
    Ah! Uma amiga, assim, sã como eu, trouxe dos U.S.A uma vez, trilhões de papeis higiênicos com marcas de beijos em batom vermelho. Amei.

  5. Três comentários:
    O sertanejo sempre usou o sabugo de milho, com excelentes benefícios ecológicos;

    Urtiga para os criadores e utentes deste novo artefato de luxo;

    Assim como o Renato Machado, a Zoé já aprendeu, no seu peniquinho, a cagar de perninha cruzada.

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