Chacretes

Que Blitz! Que Cazuza! Que Titãs! Que nada! Quando eu ligava a tevê nas tardes de sábado, nos anos 80, eu queria mesmo ver as Chacretes. Para um pré-aborrecente, o Cassino do Chacrinha fazia as vezes de telecatecismo, por assim dizer.

Eu sonhava com as chacretes. Todo mundo sonhava. Mas como diria John Lennon e também o padeiro depois de esvaziar o cesto: “O sonho acabou”.

Engrossando as estatísticas que dizem ter aumentado em 46% a audiência dos telejornais nas duas últimas semanas, lá estava eu com a tevê ligada, à espera de mais um capítulo da novela da menina (que já não me esforço por entender porque não há o que entender) quando ouvi o porta-voz dos mauricinhos – O incrível Huck – falando algo sobre o Velho Guerreiro. Cheguei a tempo de ver a entrada das chacretes: Rita Cadillac, Marlene Morbeck, Índia Poti, Edilma Campos, Lucia Apache, Regina Polivalente, Sandrinha Toda Pura (que ele chamou de Toda Dura… se bem que…), Cleópatra, Cleo Toda Pura e Cris Saint Tropez. Algumas me deram a certeza de que o sonho realmente acabou.

Justiça seja feita! As mais novas ainda estão lindas e batendo um bolão. Regina Polivalente, Cleópatra, Cleo Toda Pura e Cris Saint Tropez estão bem na fita. Mas a verdade é que nem bem a presepada terminou e minha mente sórdida de memorialista safado já estava em busca de uma edição especial da Internacional (“revista para adultos”) só com chacretes, feita ali pelo final de 1982 ou início de 1983.

Das que apareceram na tevê, só Rita Cadillac (sempre ela!) estava entre as quatro que posaram para a revista. As outras eram Lia Hollywood, Fátima Boa-Viagem e Índia Amazonense. Todas em ótima forma e – algo raro hoje em dia – naturalíssimas. Nada de peitões a mais ou costelas a menos. Mas o interessante mesmo dessa edição é a entrevista (me engana que eu gosto!) com Rita, Lia e Índia. Reproduzo o texto de apresentação para que vocês possam sentir o tom.

Lembrei também que, na mesma época, as três haviam participado do filme Tessa, a gata, adaptação do livro de mesmo nome de Cassandra Rios (quem tiver uma cópia, por favor… será regiamente recompensado).

Essas e muitas outras devem aparecer ainda este ano. As homenagens a Chacrinha – muito merecidas – não são à toa. Em julho, fará 20 anos que ele morreu.

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2 respostas a Chacretes

  1. Será que Chacrinha seria o que foi sem as Chacretes? Elas se tornaram instituição nacional, cada uma com uma “personalidade”, um público específico, uma capacidade própria para atender a fantasias diversas – gosto não se discute.
    Em tempo: adorei seu comentário num post anterior a respeito da “novela” do caso Isabela.

  2. wilson disse:

    Chacrinha já era um fenômeno surrealista nacional do rádio e da televisão nos anos 50 , muito tempo antes da Global “Discoteca do Chacrinha”.

    E foi uma escola viva para muita gente. Desses “aprendizes”, os que deram certo foi o Edson “bolinha” Cury, com o seu “A Hora do Bolinha” e Raul Gil, que mantém até hoje – bastante modificado – o seu “Show do Raul Gil”.

    Fazem 20 anos que o “Velho Guerreiro” partiu. Partiu, mas foi cantado em versos e prosas. Portanto, ainda hoje “Chacrinha continua balançando a pança”…

    Ah! As Chacretes… Donas absolutas do universo punheteiro nacional! Messalinas devassas de muitas estórias orais, repetidas por velhos e novos sátiros lascivos.

    Delas, falavam-se barbaridades que levavam o tesão a proporções absurdas: Todas tinham um “coronel” que as sustetavam, eram nifômanas, adoravam garotinhos, “davam” prá todo mundo, era só telefonar… E os números dos telefones, passados sigilosamente nos banheiros das escolas, infernizavam a vida de honestas senhoras ao desespero, ao ponto de exigirem que a telefônica mudassem-lhes os números. As barbaridades que essas senhoras ouviam…

    Ah! As chacretes tão gostosas, tão devassas… Mas, o mito não é a realidade. E a realidade era e é outra, com muitos dramas.

    Na “Discoteca do Chacrinha”, pela primeira vez no Brasil – que vivia uma ditadura – aparece a técnica televisiva mais sacana do mundo. Diretores experientes preparam exímios “camera men” a executar o que foi chamado ná época de “câmera ginecológica”. Eram verdadeiros ginecologistas esses “camera men” Numa tomada de baixo para cima, as Chacretes tinham garantidos os seus exames de Papanicolau. E sem precisar ter que enfrentar a mesa do “frango assado”… Se a idéia era original, não sei. Como dizia o Velho guerreiro, nada se cria e tudo se copia.

    Foi-se o Chacrinha, foram-se as Chacretes. Mas os ecos do passado, na minha memória ainda gritam Teresinhaaaaa! Uhuuuuuu!!! Tão forte como o grito Estellaaaaa!!! da cena final de “Um Bonde Chamado Desejo” de Tennesee Williams.

    Alguém aí, quer um abacaxí?…

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