Mad – a saga continua

Esclareça-se logo: a saga que continua é a dos leitores para conseguir encontrar a revista. Morta pela terceira vez, no Brasil, em 2006; prometida para reencarnar em 2007; anunciada para fevereiro de 2008; renascida no final de março; finalmente em minhas mãos quase em meados de abril. Aqui, na capital da Borborema, as poucas bancas que receberam a primeira edição foram agraciadas com um exemplar apenas. Consegui encontrar em uma banca escondida, mas não um segundo ou um até terceiro, como costumo fazer com primeiras edições.

O aviso de Ota na comunidade da revista no Orkut não era treta: “Comprem porque vai virar raridade. Os babacas da Panini fizeram uma tiragem ridícula, esta nova Mad vai virar peça rara de colecionador”. Já virou.

Deve ter sido ali pelos 10 ou 11 anos de idade que comprei a Mad pela primeira vez, editada ainda pela Vecchi, no que viria a ser conhecida como a “primeira série brasileira”. O resto, todo mundo já sabe: morreu, ressuscitou pela Record, morreu de novo, ressuscitou pela Mythos, morreu outra vez e aí está pela Panini, sabe-se lá até quando.

Segundo Ota me disse por e-mail, não avaliaram bem “o potencial da revista e imprimiram menos do que deveriam. Então vai realmente faltar, se as coisas continuarem nesse ritmo. Mas vai ser mensal. Ela está quase igual à série anterior, exceto que agora é toda colorida e tem 8 páginas a menos, sendo que a impressão é MIL VEZES melhor. Mas com certeza não deve ir pra Portugal”.

Bem, a Mad é a Mad. Com essa sentença, quero dizer que há várias gerações, incluindo as mais novas que nem conheciam a revista, que vão atrás de conferir o mito que é a revista. Nesse embalo, outro mito é cobrado por tudo que se refere ao nome Mad neste país. E pelo que escreveu em seu blog um dia desses, Ota já está de saco cheio disso.

Gostei desse primeiro número, mas senti falta de uma galera antiga que já morreu ou não aparecia desde a série anterior. Dos mestres, Aragonés marca presença em sete das 44 páginas (contando as capas). E é ótimo vê-lo em cores. Aliás, a revista estar toda em cores foi algo que desagradou muita gente. Eu gostei.

Estava com saudades das sátiras aos filmes, marca registrada da revista, ainda mais em tempos de sucessos nacionais. Pena que Meu nome não é Enjôony tenha ficado em uma página apenas. Pena maior não ter visto (ainda, espero) a paródia de Tropa de elite, mesmo com atraso e em tempos de charges eletrônicas que já sugaram o mote até o último caroço. Clássico é clássico. Droga de elite (a vontade denunciada na página de Enjôony) certamente entraria na seleção de grandes versões da Mad.

A capa dessa primeira edição, que parece ter sido feita especialmente para celebrar a volta da revista do mundo dos mortos, é a mesma da edição americana de novembro último. O pôster de Che Neuman Guevara também foi capa da matriz no mês passado. A próxima capa, já mostrada no morno e escondido hotsite da Mad brazuca, traz paródia de Heroes e já se sabe que vem por aí uma edição “feita por macacos”… como a Mad americana deste mês. Com tantos talentos e tanto assunto por aqui, espera-se (pelo menos eu espero) que a revista tenha mais conteúdo brasileiro ou vai correr o risco de vender só para adolescentes educados pelo Tio Sam. Pensando bem, eles sabem fazer lixo muito melhor que qualquer outro. Particularmente, já começo a sentir falta da Eca.

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Ainda sobre lançamento – esse recentíssimo –, na onda das revistas eletrônicas editadas como as de papel, acaba de ser lançada a Feed-se, voltada para o público blogueiro (se você está lendo isso…). Baixe a primeira e boa leitura.

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4 respostas a Mad – a saga continua

  1. wilson disse:

    Já consumia MAD em Inglês (sem versões ou legendas 🙂 ). Depois, tchan! Ela aparece toda louca “dressed” in Tupiniquim. Foi um furor. Derrepente morreu. Alarme falso! Era só um longo coma. Voltou dele, penso, para definitivamente dizer “Good Bye”. Pena que aquele humor cáustico e divertido vai perder-se. O problema é do MAD? Não! É que todos preferem algo mais fácil de digerir. Pensar anda muito “Out” atualmente…
    Abração!

  2. Também li a primeira MAD na adolescência. Muito legal. Fiz uns posts sobre viagem no tempo, sobre um livro de Arthur C. clarke. Acho que você vai gostar de ler.

  3. Groo Veiga disse:

    Ainda não vi a “nova MAD” ( em Salvador só vi de relance em uma banca de revistas, mas sequer folheei), de forma que não posso opinar muito sobre a “volta” da revista.

    Mas tenho saudades, como disse o Wilson, do humor cáustico da MAD lá do final dos anos 80 ( quando comecei a ler a revista) e até mesmo da confusa década de 90 ( e rendeu ótimas tiradas e sátiras comportamentais).

    Vamos ver o que virá daqui pra frente. Se for só pra “requentar” conteúdo gringo deixando de lado ótimos artistas e situações bem típicas da Ilha de Santa Cruz, aí é que sentiremos realmente falta da MAD.

  4. Thico disse:

    Também não achei por aqui em Salvador, e vejo que já tem gente na corrida…
    Que saco, todo mundo achava que por ser a Panini, a Panini da Mônica, da Liga da Justiça, dos X-Men, ia ser a glória da Mad. Que nada. A Mithos conseguia bem mais abranger o território nacional.
    Vergonha!

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