A culpa é do Fidel

Dei-me uma semana para ver se o trauma passava. Comprei todos os principais jornais do país no dia seguinte à renúncia, as principais revistas desta semana. Não li nada. Não vi tevê. Viajei. Até fui à praia. Talvez uma tentativa frustrada de que as ondas me levassem a uma ilha distante.

Fidel me abandonou. Sei que ele preparou tudo com bastante antecedência e esperou muito. Eu que passei 35 anos de bobeira. Ainda assim, com a cegueira e a covardia dos que foram abandonados, quero colocar a culpa nele.

As afinidades – ou a falta delas – com o pensamento político já não são importantes. Ficaram para a História. Meu problema com Fidel, agora, é pessoal.

Mesmo que eu embarcasse hoje – ontem, uma semana atrás… – eu já não pisaria a “Cuba de Fidel”. Transformação nenhuma ainda foi feita, está tudo igualzinho, mas já não é a “Cuba de Fidel”. Ao abrir mão de seus cargos, ele negou tal condição à ilha e à realização de um sonho meu.

Não foi a rendição de um louco teimoso. Foi o sinal de um novo tempo. Assim como foi em 1959. Esse tipo de combate já não faz efeito. Algo muito maior está se formando. Começo a achar que se, logo ali na casa dos vizinhos, um negro tomar conta, há realmente uma nova revolução acontecendo.

Aí prometo não vacilar mais. Vou querer conhecer logo os Estados Unidos de Obama. E aproveito para ir até a ilha em um vôo Miami-Havana! A capital provavelmente ainda sem cores, ainda com seus carros velhos, ainda sofrendo embargo… A culpa é do Fidel. Assim como todo o desenvolvimento nas áreas de educação e saúde. A culpa é toda dele. Será que ele poderia ser ministro aqui no Brasil? Acho que até o perdoaria…

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2 respostas a A culpa é do Fidel

  1. wilson disse:

    Ao contrário da América – “beauty-fool”, ou loira burra – Fidel nuca precisou de armamentos top de linha ou da propaganda difamadora e enganosa.

    Ele tem culhões!

    E quem tem culhões incomoda e humilha.

    Fidel é “fidel” à Cuba e a sí mesmo. É o homem que deu na América a bofetada que todos queríamos dar.

    Embargada, fodida e mal-paga Cuba está lá, não virou “Kiúbe” e La Havana – Habana, para os íntimos, não virou “Heiveinei”… E fala-se cubaño, não “american English”…

    Sitiados, Cuba é Fidel sobrevivem. Sobrevivem como incômoda pedra nas botinas do tio Sam… Tem que ser assim. Afinal quem tanto se exalta tem que ser humilhado…

    Cuba ainda é de Fidel. Seu longo tempo de “reinado” só é batido pela rainha da Iglaterra. E como a rainha,não ele, mas o irmão de Fidel reinará. Mas não governará. Será sempre Fidel a fazê-lo. Até o fim. Pois Cuba é de Fidel!

    Ou, por quê não dizer, como dizem por lá?: Cuba és Fidel!…

    Pois bem! Fidel passou a coroa, mas não perdeu a majestade!

    Logo a “fidelíssima Cuba” comemorará os seus 50 anos da revolução libertadora…

    Estou pensando em contratar a Banda da marinha americana para em La Habana, tocar bem alto a deliciosa música “Semper FIDELis”… 😛

    Tudo tem uma razão de ser na Ordem Universal das Coisas. E a pequeníssima Ilha de Cuba faz parte dessa Razão.

    Abrazos y besitos. Una rumbita y un Cuba-libre.

  2. Sim, precisávamos muito de um culpado destes no Brasil, cujo povo e classe política não são dignos de nomear um ministro daquele calibre.

    Libre es lo cubano, que livre ou não, emigrado ou não, pobre ou não, será sempre respeitado, por culpa do Fidel.

    Isto tudo é simbólico. As decisões já estavam tomadas, o Raul já estava à frente há meses e as retrospectivas jornalísticas só estavam à espera de uma data.

    Na moral, é isto que sobra no teimoso fidel e falta nalgumas centenas de milhar de líderes chão afora: moral.

    Sí, un el mojito podría ser agradable ahorita. A nosotros, a fidel!

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