De Bundas

A bunda tem o poder. Rita Cadillac já sabia disso. Gretchen já sabia disso. Carla Perez, Scheilas, o Brasil inteiro sabia disso. A bunda de Simone de Beauvoir fez este blog bombar. Se fosse seu pensamento… Duvido! Que acharia Simone de tudo isso? Ela que disse: “Não se nasce mulher: torna-se”. Que diria diante do poder da bunda? Drummond deu a resposta: “A bunda basta-se”.

Para os que não entenderam, para os que acharam familiar a capa de Fesses, explico. Com a polêmica sobre a foto retocada de Beauvoir na capa da Le Nouvel Observateur, pensei imediatamente na revista Bundas, lançada por Ziraldo e outros remanescentes de O Pasquim em junho de 1999. A número 1 é esta que ilustra o texto. A partir dela, criei a Fesses, coloquei a frase de Nelson Rodrigues – Indecente é a cara – numa versão para Simone, indiquei o que a verdadeira foto deveria ou não conter (como se faz em qualquer produto que se vá consumir) e pronto.

Para terminar, deixo-os com a bunda cantada pelo poeta:

.

A bunda, que engraçada

A bunda, que engraçada.
Está sempre sorrindo, nunca é trágica.

Não lhe importa o que vai
pela frente do corpo. A bunda basta-se.
Existe algo mais? Talvez os seios.
Ora – murmura a bunda – esses garotos
ainda lhes falta muito que estudar.

A bunda são duas luas gêmeas
em rotundo meneio. Anda por si
na cadência mimosa, no milagre
de ser duas em uma, plenamente.

A bunda se diverte
por conta própria. E ama.
Na cama agita-se. Montanhas
avolumam-se, descem. Ondas batendo
numa praia infinita.

Lá vai sorrindo a bunda. Vai feliz
na carícia de ser e balançar
Esferas harmoniosas sobre o caos.

A bunda é a bunda
redunda.

Carlos Drummond de Andrade © Graña Drummond
In O amor Natural – Editora Record – 1992
Ilustração de Milton Dacosta
Esta entrada foi publicada em Atualidade, Imprensa, Memória, Periódicos, Texto de quinta. Adicione o link permanente aos seus favoritos.

Uma resposta a De Bundas

  1. wilson disse:

    Como aqui, neste “post”, a bunda tem abundado, nada melhor do que contar a trajetória brilhante e vertiginosa do ânus até a Glória de transformar-se em BUNDA.

    O ânus viajou da Grécia para o Lácio, junto com Enéias. E junto com ele emocionou-se com a fundação de Roma…

    O tempo passa e o povaréu sempre disposto a criar neologismos inventou mais uma palavra chula – o culu… O culu nada mais era que a sintetizaçao da frase ainda muito usada hoje em dia: Vai tomar no olho do cú! Culu vem da palavra oculo (óculo) = Olho.

    E Roma coloniza o Mundo! E o cú vai atrás – eita pleonasmo óbvio… Os povos conquitados aprenderam o Latim vulgar (por sinal, um cú) e começaram a usá-lo com a pronúncia de suas línguas nativas.

    Só o Latim clássico tinha ânus. O Vulgar e as línguas decorrentes dele, tinha culo, cullo, culo, cul e, nas plagas lusitanas passou a ser cú. E o cú estava presente nas grandes navegações do século XV. Era poderoso. Tanto que Camões optou por perder o olho da cara…

    Poderosíssimo o Cú chegou à Terra Brasilis, que era linda e generosa e a natureza aBUNDAva.

    O cú fincou o pé (isto é só uma frase de efeito) e colonizou mais um território, o Brasil! Estava feito: O cú reinava nos quatro cantos da terra.

    A humanidade evolui e inventa muita merda. O que se deve dizer, como dizer; cria substitutivos até para o velho-guerreiro. Não mais CÚ! Diga-se trazeiro, baixos, partes, rabo… Putz! essa gente era um cú!

    A campanha, neste Brasil foi forte. O cú perdeu a sua posição para os adjetivos. Fazem 200 anos que ele – o cú propriamente dito – voltou com a famíla real para as terras de Portugal e Algarves…
    Agora, por aqui, só as pessoas extremecidas, coléricas é que cultuam o cú…

    É que vindo d’África, lá de Angola, chegou um povos (que por sinal, tinham o cú grande) e falavam o dialeto BUNDO. Dos Bundos de bunda grande surgiu a “mbunda” que metamorfoseou-se e BUNDA. E o Brasil nunca mais foi o mesmo.
    Aqui também a Bunda aBUNDa. Foi, é, e será sempre mania nacional.

    Uma bunda expressa muito mais emoções do que caras e bocas. E nunca mente. Uma bunda assustada contrai-se; sofrida, murcha e cái; feliz rebola, dança; raivosa, remeche-se em trejeitos de desprezo. E apaixonada, então: empina-se, orgulhosa, treme de alegria como fosse gelatina.

    E mais uma vez – desde o banimento do heróico cú – tentaram derrubar a BUNDA. É chulo nomeá-la! Diga-se Nádega!… Que virou “na adega” e ficou mais chulo do que bunda…

    Com isso a bunda ficou. Venceu! E o povo é viciado em bundas. Bundas a granel, desprevenidas, bundas ansiosas e, os amigos que se cuidem. Há os que gostam de qualquer tipo de Bunda.

    Bunda… Bun-da… Buuun-daaa!… Já escutou som mais lindo? Já verbalizou esta mandala tão poderosa?… Buuuunnn-daaaaah!…

    Tão poderosa que até o seu diminutivo é superlativo: Tens uma bundinha!… Os superlativos, então: Nega, tu tens um senhor bundaço!… Que bundalhão, minha santa!…

    E uma bunda bundíssima, bundissíssima, bundésima, quando entra em um lugar, como os perfumes franceses, pemanecem. Nunca mais é esquecida.

    Viva a Bunda. Um produto genuinamente afro-brasileiro.

    Abração. ;P

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *