E minhas apostas vão para…

 

Buñuel, que me perdoe! Fiquei de falar a respeito dele e da mostra especial que o Festival de Berlim está fazendo em sua homenagem, mas acabei furando. Pura preguiça momesca. Enquanto isso, danei a ver os filmes que concorrem ao Oscar 2008.

Comecei com Juno. Impossível não falar o óbvio: é a Miss Sunshine deste ano. Outra obviedade: se Pequena Miss Sunshine não levou, Juno não leva mesmo. É divertido. Daí a concorrer a Melhor Filme… Serviu ao menos para me fazer chegar à conclusão de que o cinema americano produz tantos filmes bons quanto qualquer outro país. Foi isso mesmo que você entendeu. Quantos longas são produzidos por ano no Brasil? Uns 70? Quantos fariam bonito em qualquer festival no mundo? Uns cinco? Quantos longas são produzidos por ano nos Estados Unidos? Milhares!! Quantos prestam? Uns cinco. O resto é pipoca.

Meus preferidos podem até não ganhar, mas sinto cheiro de coisa boa de longe. O segundo filme foi No country for old men (aqui ridiculamente intitulado Onde os fracos não têm vez). Minha aposta de melhor filme já era para ele antes de ver os outros. Irmãos Coen. Os caras são uns doentes, fazer o quê? Um ponto interessante: vários críticos brasileiros assombraram-se com o personagem Anton Chigurh, vivido por Javier Bardem (também aposto nele para Ator Coadjuvante), e seu cabelinho “estranho”, “assustador”. Chigurh é o irmão perdido de João Acácio, o Bandido da Luz Vermelha! Será que ninguém viu isso? Ah, se Sganzerla fosse vivo! Veria The Red Light Bandit em cores!

Em seguida, vi Michael Clayton (que também ganhou um título idiota por aqui: Conduta de risco). Legal para a Tela Quente ou para o Supercine. Oscar? Nãããããm. É o velho esquema de “nós somos podres mas ainda temos salvação”.

E então veio Atonement (Desejo e Reparação). Putz! Dá pra dividir o prêmio? Continuo apostando que vai para No country…, mas Atonement merece! Daqui a alguns dias vou falar mais detidamente sobre esse filme.

There will be blood (Sangue negro), talvez seja o único que possa realmente concorrer com o filme dos irmãos Coen. Mas mantenho minha aposta.

Fora da corrida pelo Melhor Filme, algo havia me intrigando. Quando assisti Piaf, ainda no ano passado, não acreditava que alguém pudesse tirar o Oscar de Marion Cotillard. Ela é incrível! Pegue qualquer grande representação de cantor de sua preferência – Val Kilmer como Jim Morrison, Jamie Foxx como Ray Charles, Daniel de Oliveira como Cazuza –, qualquer representação de um personagem real – Ed Harris como Pollock, Philip Seymour Hoffman como Truman Capote –, não tem pra ninguém: Marion Cotillard É Edith Piaf.

Mas dez em cada dez críticos e coisas que o valham apostam que Julie Christie leva o Oscar de Melhor Atriz. Ainda prefiro o trabalho fenomenal de Cotillard, mas não dá pra assistir Away from her (Longe dela) e acreditar que a veteraníssima não leva (na minha pobre e humilde opinião, o filme também deveria estar concorrendo). Julie Christie nem deve lembrar quantas vezes foi indicada a algum prêmio nem quantos levou para casa. Só de indicações ao Oscar, esta é a quarta (levou logo na primeira, em 1965, por Darling). Uma observação: ganhou o Oscar aos 23 anos. Ellen Page, a Juno, concorre e foi indicada com apenas 20 aninhos. No creo em surpresas, muito menos no Oscar, mas…

Ainda sobre Away from her. Creio que desde Gente como a Gente (Ordinary People, de Robert Redford), que levou como Melhor Filme em 1980, e Laços de Ternura (Terms of Endearment, de James L. Brooks), que ganhou em 1983, eu não via uma história de amor, indicada ao Oscar, contada de forma tão sensível e ao mesmo tempo tão crua. Pelo menos não em um filme em língua inglesa. Mas vá lá: Away from Her é canadense.

Não farei aposta para melhor ator porque só vi Daniel Day-Lewis (Sangue Negro) e George Clooney (Michael Clayton). Entre os dois, Day-Lewis disparado. Até o próximo final de semana quero ver Johnny Depp em Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet.

Melhor Animação, querendo ou não, acabo vendo (pai, né?). Ratatouille deve levar, mas eu daria para Persepolis, que é uma aula de tudo e para todos (também falarei mais dentro de alguns dias).

Na programação para este fim de semana, Cloverfield, que não está concorrendo a nada. É só um pipocão para descansar a cabeça. Começando pela da Estátua da Liberdade…

Esta entrada foi publicada em Atualidade, Cinema. Adicione o link permanente aos seus favoritos.

Uma resposta a E minhas apostas vão para…

  1. wilson disse:

    Tem já, algum tempo que sinto-me como a própria Margo de “All About Eve”, na premiação do Tony. Tédio absoluto!
    Hoje o Oscar “goes to…” Não existe mais a emoção do “the winner is…” Não mais caras-e-bocas expressando emoções falsas ou de surpresas exageradas; nem modelitos cafonas prá cacilda e muito menos atores e atrizes de unhas afiadas, prontos para lavarem a roupa-suja na frente de todos; não mais as correrias ansiosas em direção ao palco; não mais Oscars na mão e corações pulsantes em imensos decotes… Censuraram as alfinetadas políticas, os protestos e a ninguém mais é dado o direito de “taking care of the showbusiness”. É mais um Show, apenas. Mais um elenco de filmes a ser cotado e premiado. Mas, e os filmes que têm a preferêcia do público e têm grandes bilheterias? A voz do povo é a voz de Deus. Mas, nem sempre é a voz da Academia…

    E o Oscar deveria “goes to me”. Já que, tem mais de 40 anos venho acompanhando essa festa. E, claro que vou recusá-lo, como forma de protesto.

    É! Eu realmente sou a própria Margo de “All About Eve”…

    Brains/beijins. 🙂

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *