Últimas considerações (de 2007)

 

Como são sábios e honestos os chineses que, declarada e oficialmente, iniciam seu ano somente depois do Carnaval. Outra diferença é que eles não param tudo durante dois meses. Param, sim, três vezes ao ano, durante uma semana toda. Também oficialmente. E só.

Chegamos ao Ano do Rato. Eu nasci no ano do Rato, o que significa dizer que este ano completo… 24 anos. Tudo bem, 36. Nessa época, sempre falo algo sobre a China. Em 2008, veremos as Olimpíadas de Pequim e, claro, as organizações que zelam pela liberdade e pela democracia não perderiam a oportunidade de lembrar os excessos cometidos por vários governos chineses.

A Anistia Internacional deu a largada, ainda em 2007, com um anúncio que faz referência a uma das imagens mais marcantes do século XX: a de um jovem estudante chinês enfrentando os tanques na Praça Celestial, em 1989. Lembro das imagens desse momento, passando na tevê, como se fosse hoje. Desde então, me tomei de profunda admiração pelos chineses. Quase um quarto de toda a população mundial vivendo sob sucessivos regimes totalitaristas, sem liberdade de expressão. Isso contribuiu para que eu formasse, do povo chinês, uma imagem de sabedoria, submissão e tristeza.

Em 2002, trabalhando no Senado, fui responsável pela criação da publicidade e da identidade visual de uma exposição promovida pela Embaixada da China. Não pensei duas vezes em dar destaque à foto de um jovem em trajes budistas. Minha intenção era fazer lembrar o massacre do Tibet. Ninguém falou nada, passou. Afinal, era uma das fotos expostas.

Depois pensei que aquilo era uma besteira. Afinal, o povo não tinha nada a ver com aquela barbaridade. E o pouco contato que tive com as responsáveis pela exposição reforçou a imagem que eu tinha. Elas nunca olhavam nos olhos dos outros, falavam muito baixo e mantinham uma expressão de eterna tristeza.

Há poucos dias, fiquei sabendo do treinamento das garotas chinesas para conseguir o sorriso perfeito. São garotas que trabalharão nos Jogos de Pequim. Alguém consegue imaginar latinas sendo ensinadas a sorrir? Espero que as Olimpíadas sejam uma oportunidade para fazer não só as garotas mas todo o povo chinês aprender a sorrir e a manter a felicidade sempre presente e estampada em seus rostos.

E vamos começar o ano…

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Uma resposta a Últimas considerações (de 2007)

  1. wilson disse:

    Quase 20 anos e eu ainda tenho essa imagem no meu pensamento. São atos como esse, que parecem simples e que, no entanto fazem grande diferença dentro do Processo Histórico.

    Um gesto que repercutiu no mundo todo e provocou mudanças.

    E a China de Mao abre-se para o mundo. Modifica-se. E acaba indo de “Mao” a pior, com seu super crescimento e seus salários de fome.

    Estranhar por quê? É a China da “media”. É preciso usar de caras e bocas para dar emoção ao espetáculo!

    Bush vem fazemdo isso há tempos: Enquanto maquiava-se para a Rede Nacional, fazia caras e bocas, tomava postura e ares de sofrimento diante da gravidade dos fatos perturbadores de sua Saga Sadaniana. Tudo bonitinho e perfeito para enganar os trouxas…

    Claro que se fosse aqui no Brasuca, as meninas exibiriam gargalhantes vaginas e balançariam os bundões convidativos para os presentes…

    Que Beijin, que nada! Olimpíadas no Brasil já!!! 🙂

    Abração!!!

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