As aventuras de Angelo Agostini

O nosso Dia Nacional dos Quadrinhos, comemorado em 30 de janeiro, nos foi dado por um italiano. Nesta data, em 1869, Angelo Agostini publicava o primeiro capítulo de As aventuras de Nhô Quim na revista Vida Fluminense.

Com um protagonista, desenhos seqüenciados e consistência narrativa, já podíamos dizer: Sim, nós temos quadrinhos! Foram catorze capítulos e sem final. Somente os nove primeiros foram desenhados por Agostini. Os outros cinco foram feitos por Cândido A. de Faria. Nhô Quim era um caipira rico, atrapalhado e sem maldade. Suas desventuras na Corte era o cenário ideal para que Agostini criticasse os “problemas urbanos, modismo, costumes sociais e políticos da época”.

No entanto, uma outra historieta de Agostini é apontada como sendo a precursora das HQs brasileiras. As cobranças, de 1867, publicada em O Cambrião. Com As aventuras de Zé Caipora, que começaram a ser publicadas em 27 de janeiro de 1883, na Revista Illustrada, de propriedade Agostini, está formada a tríade que dá início à História das nossas histórias em quadrinhos.

Desde o início da Revista Illustrada, em 1876, Agostini apresentava algum tipo de história sequenciada, ainda que somente para ilustrar alguma situação cômica ou criticar algo, sem um personagem fixo ou qualquer tipo de continuidade além da circunstância mostrada em um único número.

Em 2002, o Senado Federal editou As aventuras de Nhô Quim & Zé Caipora – Os primeiros quadrinhos brasileiros 1869-1883, organizado por Athos Eichler Cardoso. O álbum reúne todos os capítulos das histórias dos dois personagens – 14 de Nhô Quim e 75 de Zé Caipora – publicados em diferentes periódicos.

Infelizmente, as edições do Senado carecem de divulgação. Não se costuma encontrá-las em qualquer livraria. Geralmente tratam de temas importantes, custam muito menos do que se tivessem sido lançados por uma empresa preocupada com lucro (esse álbum de Agostini, com quase 200 páginas em couche custa apenas trinta reais e é enviado sem custos adicionais para qualquer parte do território nacional) e são conhecidas por poucos. Eu mesmo só soube de sua existência porque trabalhava lá quando foi lançado.

Não se trata de edição fac-similar, o que costuma desagradar a colecionadores e pesquisadores. As imagens receberam tratamento digital, os textos manuscritos foram substituídos por fontes modernas e até parte da seqüência original de três capítulos foi modificada para que se ajustasse à maioria. Decisões editoriais que desagradam aos puristas mas acabam provendo acesso a um número muito maior de pessoas a esse material.

Uma curiosidade – apontada pelo próprio organizador dessa edição – é que as histórias de Zé Caipora tiveram alterações editoriais feitas pelo próprio Angelo Agostini.

Na revista Don Quixote, uma 3ª edição é reeditada a partir do nº 125, de 1º de junho de 1901. Os 24 capítulos iniciais são redesenhados, modificando-se pequenos detalhes e o texto é agora impresso em letra tipográfica em vez de manuscrita (…)

 

Em 2010, completará um século que Agostini partiu. Espera-se que mais homenagens apareçam e que sua importância seja reconhecida por outras gerações.

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