Histórias dos meus quadrinhos

Desde criança só lemos os quadrinhos dos jornais
Quadrinhos – Picassos Falsos

De Monteiro Lobato, pulei direto para os quadrinhos. Aquela página de O Globo, inteirinha, de ponta a ponta, cheia de tirinhas. Se ainda lembro: Recruta Zero, Zé do Boné, Fantasma, Hagar, Modesty Blaise, Frank & Ernest, Popeye, Brucutu, O Mago de Id… Aos domingos, virava um encarte em cores. Dali, em algum momento bem no início dos anos 80, comecei a comprar as revistas da Ebal (adorava aquele papel branco) e depois da Abril. Tinhas todos os títulos da Abril desde o primeiro número de cada um. Isso durou uns cinco anos. Já eram centenas de revistas. E aí eu resolvi trocar tudo por bombinhas durante um São João. Estourei minhas revistinhas todas. Uma bomba nos Universos Marvel e DC.

Quando a ficha caiu, bateu o trauma. Nem me recuperei, vieram outros: adolescência, mudança do Rio para Natal, faculdade… Cadê a minha infância??! Foi para os ares naquele São João. Meus heróis, mortos por pequenas explosões. Comecei a colecionar livros. E depois revistas. E jornais. Não parei mais. Hoje, toneladas de papel permitem que eu more no restinho da casa. Mas os quadrinhos… trauma.

Quando a Panini passou a editar as revistas da Marvel e da DC no Brasil, em formato americano, mais atraente, em menos tempo a partir da edição original, colecionei alguns títulos. Há algumas caixas guardando esse momento. Foi uma tentativa de me livrar do trauma ou, mais que isso, de guardá-las para – quem sabe? – serem descobertas algum dia por Pietro e, inspirado pelo mundo de revistas em casa, ele, como o pai, não resolva ir atrás “daqueles gibis antigos da Ebal, RGE, Abril…”. Se ele deixar, vou ler tudo de novo. Se não deixar, leio escondido.

Nas coleções oficiais, estão lá Grilo, Gibi, Patota, O Bicho, Fradim… Disfarçadas de revistas de “gente grande”. Mas esses arquivos, deixo para abrir amanhã

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4 respostas a Histórias dos meus quadrinhos

  1. wilson disse:

    🙂 Recordar é viver…

    Voltando no tempo eu me maravilho ao descobrir que na infancia, além de mim,um outro eu vivia uma vida paralela.

    Cedo virei uma criança leitora. Havia o Pinocchio, La Cenerentola e a obrigação de ler todos os dias um trecho da Commedia di Dante.

    Depois vieram Le Petit Prince; livros infanto-juvenís da Melhoramentos; Monteiro Lobato e as “pièces de resisténce”: O Conde de Monte Cristo e os Três Mosqueteiros!…

    Nessa mesma época o meu outro eu, escapava e, mandando à merda os livros, ia ao banheiro, tomava assento no “trono” e deliciava-se com o “Supermouse”, “Os Sobrinhos do Capitão”, “Brucutu”, “Zorro”, “Popeye”; gibís de Terror, de Farwest, e toodos gibís Disney da Abril, da Ebal, da Globo…

    Nesse meio tempo, eu junto com eu, colecionávamos álbuns de figurinhas dos filmes da Disney, de times de futebol, de corridas de automóvel.

    Da adolescência à idade adulta eu, de acordo com eu, começamos a ler livros policiais e morríamos de tesão pela Dama do Crime. Setentona, Agatha Christie causava-nos prúridos indecorosos.

    Líamos autores estrangeiros e brasileiros e Disney em italiano (Topolino – Mickey e Paperino – Pato Donald) e, mais gibís sobre gibís. A Folhinha de domingo era praticamente devorada… Gibís e mais gibís… e no meio deles, Carlos Zéfiro, Mafalda,Pasquim, as Suecas e depois, muito depois o Computador…
    Computador que com suas janelas lembram, de longe os quadrinhos com seus balões explicativos. Aí dá uma vontade de ler um gibizito e, claro que vou matar a vontade. Cato um, mesmo que lido e relido e vou “abundar” na latrina e ler no silêncio do banheiro…

    Alguém deveria escrever um livro sobre a importância do banheiro em relação à literatura… A maioria que eu conheço acredita que não há melhor lugar para a leitura. Melhor que o silêncio das bibliotecas. 😉

    Abração!

  2. patrício disse:

    ah, nem me fale. a gente faz cada merda quando é boy. ainda me lembro do cheirinho que tinha meu cavaleiro das trevas original. onde foi parar? troquei por um disco do enegenheiros do hawaii… eu mereço morrer na forca…

  3. Sandro Fortunato disse:

    PATRÍCIO, se a moeda ainda estiver valendo, podemos fazer negócio. Já tirei meus LPs dos Engenheiros da coleção de vinil dos Anos 80… 😉

  4. adilson t disse:

    nos anos 80 eu vivia em outro mundo sonhava ser o demolidor nos traços de Frank Miller ou o Homen Aranha,adorava o mostro do pantano”Alan Moore”gostava de todo tipo de quadrinho desta Mauricio de souza a Piratas do Tiete o gostoso e que nunca me desfiz deles ainda tenho caixas e caixas o unico problema é espaço devez em quando tiro tudo das caixas para ver se tudo esta ok demora semanas pra por tudo de volta o motivo,começo a ler um e outro e acaba não rendendo o serviço.abrçs

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