50 é bom demais!

Juro que lembro de Eduardo Dusek, na televisão, apresentando-se no Festival MPB Shell na Rede Globo, em 1980, aos brados, cantando e encantando o público com Nostradamus. Eu tinha apenas oito anos de idade, mas ele já ia em treze de carreira. Carreira musical, por favor. Foi desclassificado pelos jurados, mas o público se amarrou.

Sem precisar de juramento, em 83, já estava com minha fitinha K7 do Plunct Plact Zuuum rodando sem parar. Nela, 1 + 1 é bom demais, com Duardo Dusek (sem o “E”) no papel do Mestre da Matemática. Quem lembra? 1 sorvete + 1 sorvete/ Na verdade é igual a um sundae/ mas vejam bem em qual vocês se metem/ Pois se sujar são vocês quem lambem (…) ô, ha ha ha/ Ouçam o Mestre Malucão/ Pois na verdade a matemática/ É só usar a imaginação (…)

Ele já havia se consagrado com seu segundo LP, Cantando no banheiro. Além da faixa título, o bolachão trazia Barrados no Baile (que ele cantou e por isso se desclassificou na versão de 82 do Festival MPB Shell; era para ter cantado Waldirene, a paranormal), Rock da Cachorra (Troque seu cachorro por uma criança pobre) , a pintosa Não minta, vovó e a belíssima Cabelos negros (Eu quero seus cabelos negros / Nas minhas mãos / Eu quero seus olhinhos ciganos / Nos meus sonhos / Eu quero você minha vida inteira / Como doce mania / Fosse qualquer maneira).

Vi Dusek pela primeira vez em 1991, em um show no Centro de Convenções, em Natal. No palco, só ele e piano. Ou algo que lembrasse um. Exercitando minha berrante ignorância de menino de 19 anos, achei que aquilo pudesse ser um cravo. Bem… pelo menos era velho. Muito velho. A partir de certo momento, Dusek começou a chutá-lo, usando o piano como percussão e incitou o público a pedir o dinheiro de volta, explicando que no contrato dele dizia que se o local não tivesse um piano de cauda, ele levaria o dele; mas, para economizar, os contratantes sempre diziam que tinham. Quem já viu um show seu sabe que ele é capaz de fazer um pandeiro de piano.

Só iria a outro show de Dusek no ano de 2003, em um shopping, em Brasília. Crianças dançando, senhoras rindo com suas gaiatices e trintões (opa! Presente.) se divertindo a valer. Além das músicas já citadas, apresentou outros sucessos com Doméstica, Aventura, A índia e o traficante, Singapura e Lincharam o viajante espacial.

Segundo o site Clique Music, o agora Dussek (com dois “s”) completa 50 anos hoje, dia 1º de janeiro de 2008. Outros sites (menos confiáveis) dizem que isso aconteceu ano passado. Fiquemos com a matemática do Mestre Malucão, que diz que acha “muito louca / Essa tal de adição/ A gente pensa que a gente soma / Mas na verdade é diminuição”. Cinqüenta ou 50 + 1, hoje é aniversário do Eduardo. Que se faça a Folia no matagal!

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6 respostas a 50 é bom demais!

  1. Tato disse:

    Também tive meu k7 do Plunct Plact Zum. E do Pirlimpimpim.
    Estamos velhos.

  2. Tato disse:

    Ah! E parabéns pela migração do blog. Ficou muito bom.

  3. wilson disse:

    Putz!!!
    Le passé (bien passé) dans la berlinde…
    Sem dúvida, Dussek é a nossa “diva” Liberaceana. Embora, ao contrário de Liberace, que dava “pianadas” clássicas e populares bem arranjadas, Libedussek implodia o piano e voz com delírios que enlouqueciam as platéias.
    Dussek fazia a diferença naqueles anos estranhos (ou o estranho seria eu?…).
    Como Liberace, nunca abriu mão do próprio piano – e que piano – ou de ter um excelente piano à sua disposição e, bem afinado, por favor! Senão, com certeza, faria como Madalena Tagliaferro que um dia, no Municipal de São Paulo, parou de tocar por causa de uma nota desafinada. Explicou para o público e para o Maestro Eleazar de Carvalho. Voltou ao piano e iniciou o concerto, criando uma síncope cada vez que a tal nota deveria ser tocada,
    No caso de Natal, não era Cravo, nem Spinetta, devia ser um piano cotó que dizem ser meia-cauda. Já pensou a humilhação que foi para o Libedussek? 🙂
    Mas, tudo bem. Gênios e Loucos devem ser desculpados. Principalmente o Dussek que, com suas loucuras divertiu e diverte muita gente. É um “entertainer” excelente.
    50 aninhos, já?… É um garotinho!… Não aquele que foi governador e queria ser presidente…
    Pena que o nosso Liberace anda meio esquecido. Faz falta seu brilho e suas músicas.
    Abs.

  4. joão disse:

    Sandro.
    Acompanhei paripasso o Dusek, que a meu ver é um craque. Que perdoe a rima fácil. Rir de si mesmo é coisa difícil, e ele nunca se levou a sério. Esta geração que pegou a transição politica, saiu de uma ditadura, naquele tempo apesar da distensão ainda havia censura, pegou uma barra. Costuma-se endeusar muito a geração dos anos 60, que pegou em armas, e com razão, mas esquece-se de falar de outras gerações, como essa que floresceu nos anos 80. Que também não eram tempos fáceis, nem havia democracia, muito menos liberdades civis. Dusek é um dos representantes desta geração, que fez humor/rumor com toda competencia.Em São Paulo tinhamos Arrigo Barnabé, ou Língua de Trapo, ou Premeditando o Breque. Lá no Rio havia ele,Espírito da Coisa,Léo, enfim o humor estava com tudo.
    Em tempo, guardo todos os lps dele, com o maior carinho. O humor carioca tinha uma certa influencia da new wave, mas ninguém é perfeito né…
    abraço
    joão

  5. Taí um bom exemplo de brega-rock ou rock-brega, como queiram.

  6. Sandro Fortunato disse:

    THIAGO, o terceiro disco de Dusek, de 1984, é intitulado Brega Chique. 🙂

    WILSON, ele continua na atividade, mas tem dado especial atenção à carreira de ator. Desde 2000, ele fez várias participações em novelas e séries da Globo. A mais recente foi como Barão de Munchausen, no Sítio do Picapau Amarelo, em 2007.

    JOÃO, essa influência da New Wave até era benéfica em alguns casos. Mas a maioria foi, obviamente, por imposição das gravadoras que viam nisso o filão da época. Mas quem não curtiu B52’S, Cindy Lauper, Go-Go’s, A-HA e outros exageros?

    TATO, Pirlimpimpim eu tinha em LP. Mágico também! E que papo é esse de velho? Dusek que tem 50 está novinho em folha, imagina eu que continuo com 18! 😉

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