Postado em 30 de janeiro de 2007, terça

:: O cadáver insepulto de Fidel

Inspirado em festas reais

Em Nova York, a festa foi para James Brown. Todos dizendo alto: I’m black and I’m proud”.

Em Miami, a festa será para Fidel. Todos dizendo alto: “¡Ya va tarde!”

O Rei do Soul continua esperando seu enterro. Sem pressa.

O Rei de Cuba continua evitando seu enterro. Sin pressa.

Na América, a morte é uma festa. Aviões investem contra prédios, estudantes matam colegas e professores, soldados atravessam o mundo para matar e voltam mortos para levar mais soldados à morte, Saddam em televisivo martírio durante três anos tem internético enforcamento. A morte é uma festa na América.

Que saudades das mortes rápidas. Nicolae Ceausescu é que sabia morrer.

¡Viva la revolución! Enterraremos.

 
Postado em 29 de janeiro de 2007, segunda

:: A sétima vítima

Inspirado em inspirações reais

Era um Silva. Como milhares espalhados pelo país. De zé ninguém a presidente, há Silvas a dar com pau. Era office boy aos sessenta. Office old. Dá pena só de pensar. Um passo a menos e estaria vendendo saquinhos de balas nos sinais.

Um passo a menos e não teria sido tragado por aquele imenso buraco. Um pensamento a mais e não estaria vendendo papelotes de pó nos escritórios.

Treze dias sobre os escombros. Treze papelotes no bolso. Azar danado.

Silva avião aos sessenta. Velho para boy. Novo para ser inimputável. Nem morto deve escapar. Vão julgá-lo. Todos os outros Silvas. Era isso, era aquilo, aquela cara nunca me enganou.

Entre uma cova e outra, a reputação desmoronada. Difícil viver. Difícil morrer. Todo peso do mundo em suas costas. Nem morto teve descanso.

 
Postado em 27 de janeiro de 2007, sábado

:: Wilson - 50 anos esta noite

Dois monumentos culturais de São Paulo: Wilson e o Masp

Tudo começou quando o calabrês Giovanni Natale, já no Brasil, olhou para Dona Anna Maria, bateu palmas e gritou: La mamma dei miei bambini. Pronto! Estava encomendada a vinda de Wilson Natal ao mundo. Há cinqüenta anos nascia, na Mooca, o pequeno carcamano. Mas se eu for contar toda a história desse porra-louca que nos tempos de faculdade corria nu pelos jardins do Museu Paulista, vou escrever um livro. E talvez, um dia, faça realmente isso.

Hoje, vou contar a partir de quando nossas histórias começaram a se cruzar.

Foi em novembro de 2004. Wilson, historiador, já freqüentava o Memória Viva. Dali, foi para o meu site pessoal, para o meu blog (o Leseira Geral) e comentou no texto Eu tenho medo do mesmo. No texto seguinte – Mezzo Peer Gynt, Mezzo Pequeno Príncipe – lá estava ele outra vez. E foi ficando. Quem seria essa criatura? Milhares de pessoas passam pelos meus sites em uma semana, muitas escrevem, comentam, se manifestam... mas Wilson era diferente. Estava mostrando que tinha vindo para ficar.

Wilson, ele mesmo!Em maio de 2005, fui a São Paulo para minha terceira final do iBest. Anahi, com um barrigão de quase nove meses, ficou em Brasília. Eu tinha uma mesa inteira para a cerimônia de premiação. Já havia chamado os amigos (Clayton, que esteve comigo em todas as premiações; Zé Luiz, que veio de Natal especialmente para a ocasião; Sadovski e Mariza) e ainda sobrava um lugar. Vou chamar esse cara! Chamei. Àquela altura, Wilson já comentava no meu blog, no meu flog e nos flogs de vários amigos meus em Natal. Como seu sobrenome é Natal, muita gente pensava que ele fosse de lá. Marcamos de nos encontrar em frente a (vai que era alguma entidade... eu fazia carreira pra dentro da igreja!). Era sábado, 7 de maio de 2005, quando vi a criatura, encarnada, pela primeira vez. Aliás, ele me viu, já que eu nem fazia idéia de como ele era. Chegou perto de mim e perguntou graciosamente: A boneca está sozinha? Puto! De lá, fomos parar na Casa das Retortas: rock e cerveja na cabeça. A história está contada em Da Sé ao Pulgueiro (17 de maio de 2005). E Wilson, o mesmo, foi fotografado para mostrar a todos que realmente existia.

Dali até a sexta seguinte, estivemos juntos quase todos os dias. Fomos ao Banespão e rodamos bastante pelo centro de São Paulo. Só nos veríamos outra vez um ano depois, novamente na semana de premiação do iBest, no fim de semana seguinte aos famigerados ataques do PCC (não é o Partido Comunista Chinês). Mas foi um ano de muitos e-mails, conversas no MSN e comentários em todos os meus textos e fotos. Cheguei para passar um dia em sua casa. Fiquei nove. E andamos. Meia São Paulo conheceu nossas quatro patas. E que aulas de São Paulo eu tive! Tudo registrado em centenas de fotos e no texto Uma semanas e dois pastel (1º de junho de 2006). Saí de lá cheio de mimos: do quarto com janela para uma agradável e silenciosa pracinha aos livros que ganhei de presente.

Então para que esperar tanto? Quatro meses depois, estava de volta. Wilson já não era apenas meu comentador oficial (quando reunir os textos desses anos de blog em livro, serei obrigado a colocá-lo como co-autor!), meu cicerone e professor de São Paulo. Já era um amigo muito querido. E os locais – antes tão importantes para mim – nos quais costumava ficar em São Paulo foram esquecidos. Aquele sobrado na Mooca é o lugar mais bacana de toda Sampa. E dá-lhe pizza, sanduíches, coca-cola, chocolate quente e conversas: na cozinha, na sala, no escritório, saindo para mais doze horas de caminhada por São Paulo... E voltei com mais mimos. Em minha biblioteca, já tem uma prateleira com o nome de Wilson Natal.

Em dezembro passado, outro presente. No texto Desejo um prefácio sincero (2 de dezembro de 2006), no mais puro mooquês, Wilson fez o prefácio mais genial que eu poderia ter. E sincero, como eu havia pedido. É outro livro meu no qual ele se mete...

E, esta noite, chegamos aos seus 50 anos. Meio século de História com H maiúsculo e em todos os sentidos. Pela sua, por seus conhecimentos. Ele andou dizendo que não faz diferença nenhuma. De certa forma, espero que não. Que continue cheio de vontade de bater perna pela Paulicéia, ensinando, ensinando, ensinando, aqui e acolá parando em algum boteco para tomarmos uma breja gelada, batendo ponto nos sebos e na galeria do Rock, pulando em algum show, indo ao cinema, ao teatro, fotografando tudo, rindo muito. Essa História está só começando!

Pegando emprestadas suas palavras (de um de seus primeiros comentários em meu blog), digo que gosto quando alguém (...) chama-me pelo meu título: MEU AMIGO! Título que eu carrego com muita honra e procuro, a cada dia, fazer por merecê-lo. Que assim seja. Sempre e cada vez melhor. Como a Mooca.

Buon Compleanno, Fratello!

 
Postado em 14 de janeiro de 2007, domingo

:: Fausto início de ano

Tenho repentes, manias e taras sem prazo de validade. Um verso, uma frase, uma música, uma imagem podem despertá-las. Podem durar dias, semanas, anos. No final de 2006, Fausto Fawcett se tornou uma dessas manias. Estava guardado lá em minhas memórias dos anos 80 ou, mais próximo, já nos 90, quando o avistei na Nossa Senhora de Copacabana, encostado no balcão de um boteco que vendia kibes e tinha uma cozinha nojenta. Da calçada podíamos ver as baratas passeando por lá cada vez que a porta tipo saloon abria. E o Fausto lá no kibe com cerveja.

Há quase um ano, ele foi chegando de mansinho numa faixa da trilha de A pessoa é para o que nasce. Meu conterrâneo fazendo um link do Rio com Campina Grande. Copa Campina Cabana Grande. Depois se manifestou via Rogério Skylab (eu quero saber quem matou Fausto Fawcett...). Então dei de cara com Santa Clara Poltergeist em um sebo. Fui atrás do meu Copacabana Lua Cheia comprado há uns cinco anos, zerado, em outro sebo no Rio. Daí peguei Fausto Fawcett e seus robôs efêmeros digitalizado, com ótima qualidade e pronto! Ouço, religiosamente, há meses, várias vezes todo dia: ao acordar, cinco vezes voltado para Meca, na hora do anjo, antes de dormir...

Voltei a 1987 com força! Para quem só conhece o Fausto de Kátia Flávia, aviso: é amostra grátis e olhe lá. Os balzacos devem lembrar de Fawcett no Chacrinha. A galera pulando e gritando: Calcinha! Acho que era mais uma vontade louca de se gritar calcinha em público, calcinha que fica colada com a bucetinha e a bundinha, calcinha substituindo as partes que cobre, para se dizer que era livre, que a ditadura tinha ido pras picas. Calcinha bordadinha, calcinha de rendinha, calcinha geladinha, é! Quase ingênuo (pelo menos para quem cantava) na frente de Chinesa Videomaker (ela quer capturar pessoas na noite de Copacabana, ela quer chupar o sexo dessas pessoas...) – provavelmente minha preferida –, Juliette e Drops de Istambul. Na contracapa do LP (eu tenho! eu tenho!), a ordem do Departamento de Censura e Diversões (diversão só para os censores) dizia que as três faixas tinham a radiodifusão e execução pública proibidas.

Pronto! Quase metade do LP, que tinha oito músicas, não podia tocar nas rádios. Sobravam ainda Estrelas vigiadas, Tânia Miriam e as ótimas Gueixa vadia (budista venérea, ninfeta narcótica...) e Rap d’Anne Stark (nos fundos de uma loja eletrônica Sony funciona a boutique jornalística Paulo Francis, reduto de todos aqueles fissurados pelo lado obsceno feérico apocalíptico espetacular do jornalismo).

A Copacabana da minha adolescência aparece toda a cada verso. E talvez este seja um dos motivos pelos quais o genial Fausto não tenha emplacado outros sucessos além da Godiva de Irajá. Ele canta sua tribo. Tudo é Copa. Rap (numa época em que mal se ouvia falar disso por aqui) com rock, imagens fragmentadas, alucinadas, cultura pop, submundo Zona Sul carioca... não era para todos. E ainda teve O Império dos Sentidos em 1989.

Em 1993, veio Básico Instinto. Disco, livro, show, monte de loiras, Regininha Poltergeist, Marinara... Em 2001, Copacabana Lua Cheia, primeiro volume de livro-revista/CD de uma coleção que ficou restrita ao Rio e não creio que tenha completado os 12 números planejados (tenho os dois primeiros).

Esqueci alguma coisa? Um monte, mas foi proposital. Se você pensou que depois de Kátia Flávia ou Básico Instinto não ouviu mais nada de Fawcett, aí vão algumas: Rio 40 Graus (Fernanda Abreu), O mal é contagioso (da trilha de Bufo & Spallanzani), Balada do amor inabalável e Supernova (ambas com Samuel Rosa e gravadas pelo Skank)...

Fausto Fawcett e os robôs efêmeros, o LP, está completando vinte anos em 2007. Fausto Borel Cardoso, taurino persistente, 50. E na mesma despudorada obsessão loira. Em Cidade Vampira (que estreou em abril de 2006 e terá apresentações nos dois últimos finais de semana de janeiro no Teatro da UFF, em Niterói), a loira da vez é Suzane... aquela que armou a morte dos pais. Escrita e concebida por Fausto e Henrique Tavares, a peça ainda tem o garoto de Copa no palco.

Viajando no bairro tripa, entre loiras e chinesas, vou misturando vários mundos. E no tocador, ininterruptos raps do Fawcett. Por isso eu te digo, rapaz: isso vai dar em textos.

 
 
Arquivos

• Sempre algo a dizer
  Todos os textos
• Leseira Geral
  outubro de 2004 a setembro de 2005
• Leseira Geral
  agosto a setembro de 2004

 
Blogs
Blog do Memória Viva
Acta Diurna - Blog do Cascudo

Alexandre Bobeda Blog
Anna Fortuna
Baptistão
Blog da Soninha
Blog dos Quadrinhos
Blônicas
Blue Shadows in the Street
Contos autobiográficos...
Contradição em processo, A
Escritos esparsos...
Flores do Mal, As
Grafolalia
InquietAÇÕES
Jal
Joseluizcoe.com
HQMix
Luiz Nassif Online
Me, Myself & I
Milk Shake
Obsessions
Ondas Hertzianas
Papa-Jerimum

Pela estrada
RevelAÇÕES
Sopão do Tião
Titina Medeiros

Valéria Oliveira
 
Flogs
Meu Flog
Flog do Memória Viva

Flog Rio Antigo
Flog São Paulo Antiga
Flog Natal Antiga
Jose Luiz Coe
Canindé Soares
Wilson Natal
 
Meus sites
Memória Viva
O Cruzeiro on line
Careta on line
O Malho on line
No Orkut
 
Outros links
Diginet
Millôr Fernandes 

 

 

Weblog Commenting and Trackback by HaloScan.com