Postado em 29 de agosto de 2006, terça

:: O imortal e incomparável Pasquim

Tá lá o corpo estendido no chão. Sobre centenas de exemplares de O Pasquim. Deu na Folha. Bomba! Bomba! Bomba! Rato Sig, urgente! Direto da capital da República das Bananas.

Gabriela Longman deu o furo! Oops! Furo jornalístico. Desculpe, Gabriela, é toda essa intensa leitura d’ O Pasquim.

E o furo sai logo em um jornal paulista! Alguém percebeu a ironia? O Pasquim, carioquíssimo, sempre cutucou os paulistas com vara curta. Tudo começou na décima edição, no final de agosto de 1969, com o artigo São Paulo, meu amor, de Tarso de Castro. Pronto! As provocações e troca de farpas durariam por mais vinte anos.

São Paulo nunca parou de reagir a’ O Pasquim. Só que agora reagiu muito bem. Deu a notícia antes dos jornais cariocas. Meus conterrâneos devem estar na praia jogando frescobol com o Millôr...

Verdade seja dita: a imprensa carioca sempre tratou bem o Memória Viva. Desde uma ótima matéria na revista Domingo, do Jornal do Brasil, em 2003, até uma recente nota de Ancelmo Gois, o colunista mais lido do país, em O Globo.

E agora não tem mais segredo: está vindo aí, em setembro, um site totalmente dedicado a’ O Pasquim. A coleção completa do jornal, doada pelo mineiro Rogério “Saddam” Gomes, em abril deste ano, não poderia só ficar guardada. As informações de todos os exemplares estão sendo catalogadas e farão parte de um grande banco de dados que poderá ser consultado pela Internet. Você vai colocar um nome ou assunto e o sistema vai informar em quais edições aquela pessoa ou aquele tema foi abordado. Nunca mais receberei um e-mail perguntando: Você sabe quando foi que saiu aquela entrevista com a Leila Diniz? Nem precisarei responder: Compre o primeiro volume da Antologia de O Pasquim que está lá.Tudo isso graças à genialidade de outros dois modestos cariocas: eu e José Luiz Coe, o (ir)responsável pelo banco de dados. Ou você acha que o site, assim como o jornal, não manteria a tradição de gênios mal remunerados que resolvem meter as caras e fazer o mundo girar por conta própria?

Além da pesquisa, existirão áreas totalmente dedicadas aos colaboradores d’ O Pasquim. Ziraldo, Henfil, Fortuna e Luiz Carlos Maciel já estão confirmados. Até a estréia do site, creio que Millôr e Jaguar também estarão.

Resumindo: o jornal mais irreverente da imprensa brasileira não morre nunca e o site facilitará muito as pesquisas que são feitas a respeito dele.

Agora é só esperar um pouquinho mais. É em setembro...

 
Postado em 26 de agosto de 2006, sábado

:: Para não dizer que não falei de Brasília
     (Nem bem, nem mal. Só o essencial)

A gente vê cada uma! Cada uma verdade! Esse excerto de duas páginas de parceria entre Jaguar e Hugo Bidet, que analisam, de forma radical e politicamente incorreta (quando isso nem existia), a lei de conversão nacional, sugere uma Brasília que, na coletividade, é uma das piores formas de marasmo de que já se ouviu falar.

Brasília é um excelente lugar para muitas coisas. Para quem quer largar a vida boêmia, por exemplo. Em Brasília, cura-se alcoolismo mais rápido do que se vira gente ao ser aprovado em concurso público. E depois de passar, você que já abandonou o álcool, vai para os barbitúricos, indicados pelo seu psicanalista.

Há todo um cronograma a se respeitar na brasiliensização de um ser humano. Você chega toda humilde, vindo de sua cidade, para estudar ou fazer concurso. Vai morar em uma cidade satélite ou num quarto sem banheiro no Plano Piloto. Ou numa república. Faz vários concursos. Faz cursinho. Faz mais concursos. Faz mais cursinhos. Faz outros concursos. Passa. Diz pra todo mundo que passou em primeiro lugar. E no primeiro concurso que fez. Que passou em outro também, mas escolheu o que oferecia maior salário. Você compra um carro zero com quatro portas e vai morar no Sudoeste. Compra o apartamento. Você tem um ótimo salário para comprar um carrinho legal, não fazer mais contas e viver na boa. Mas você compra um carrão, compra um apartamento de 50 metros quadrados por duzentos mil reais, se casa, compra outro carro para a esposa. Topos os opcionais. Você só sai com os colegas de trabalho e só fala de trabalho. Toma dois chopes em um lugar caro, puxa um de seus cartões de crédito, reclama, discute, refaz as contas para saber quanto é a parte que lhe cabe naquele chopefúndio. Em certas ocasiões, pede vinho. Tinto, lógico. E bebe como se fosse refrigerante. Lógico também. Para acompanhar, tomate seco. Sempre tomate seco. Ah, já ia esquecendo: aparelho nos dentes. Trinta, quarenta anos na cara e aquele sorriso metálico de adolescente.

Pronto. Estabelecido e morto. Que saudades dos botecos dos tempos da faculdade, hein? De nunca ter dinheiro pra cerveja. De pendurar sempre. De conhecer Deus, o diabo e até a Terra do Sol. De uma cidade normal. Com pessoas.

Não, não estou falando mal de Brasília. Estou falando o óbvio. Brasília é o túmulo do bem viver, do se relacionar. Uma cidade sem esquinas, onde não acontecem encontros. Onde não há um boteco para você encostar no balcão, tomar uma, conversar com o brevemente já ex-desconhecido ao lado, lançar um olhar comprido para aquela menina, coisa mais linda, mais cheia de graça, que vem e que passa num doce balanço a caminho do mar.

O mesmo Jaguar, que em 69 já dizia que uma reunião de brasilienses era uma monotonia desgraçada, foi notícia de primeira página nos jornais locais quando disse que Brasília não tinha vida boêmia. E agora é proibido dizer a verdade? Onde já se viu correr para casa às dez da noite quando, em uma cidade normal, a esta hora nem começamos a nos aprontar para sair? E ache um lugar aberto às duas da manhã nessa cidade! Ache que eu pago o chope.

Brasília é uma cidade de guetos. Guetos burocráticos. Vive-se de forma burocrática, totalmente voltado para se manter o status quo. Quem são os meus semelhantes? Os que trabalham comigo e sei que ganham como eu. Existe vida além?

Eu gosto da cidade. Gosto dos grandes monumentos. Gosto do ar de mundo civilizado. Só o ar. São caboclos querendo ser ingleses, como diria o Caju.

Acho que já começo a me despedir. Quando estive em Brasília pela primeira vez, há quinze anos, disse que poderia morar aqui por uns seis anos sem reclamar. Já vou em cinco. Antes de correr mais riscos, vou apontar a bússola para algum lugar onde possa não só morar, mas viver.

Um brinde ao velho Jaguar!

 
Postado em 24 de agosto de 2006, quinta

:: Meus mundos caíram

Plutão não é mais planeta. O mundo não é mais o mesmo. Aliás, o Universo não é mais o mesmo. Ou pelo menos o nosso sistema solar. Já já dizem que esse papo de planetas girando ao redor do Sol é balela. Com nosso galopante umbiguismo, por esses dias anunciam que a Terra é o centro de tudo e todo o Universo gira ao redor dela.

Cada vez que anúncios ou decisões desse tipo surgem, percebo mais semelhanças entre ciência e religião. Ciência também é uma questão de fé. Você acredita até o papa de determinado assunto reunir um concílio de sábios e mudar tudo.

E como fica a Astrologia? Quem regerá Escorpião agora? Quem representará o impulso destruidor e reformador de Plutão? Quem regerá os sistemas reprodutor e excretor, o crescimento das verrugas, dos tumores, das marcas de nascimento? Quem governará as massas, a subversão, o poder atômico, os crimes?! Ah, a resposta para esse último nós já sabemos. Foi só ameaçar Plutão e olha no que deu: PCC, sanguessugas... Imagina agora que limaram o planetinha do sistema!

Quem regerá as fobias e as obsessões? O crescimento lento, os fatores grupais, os começos e os fins, a morte e o renascimento, o seqüestro (o PCC, já sei!), as bactérias e os vírus? Quem governará as ditaduras (olha o Fidel morrendo!) e as causas populares?

O posicionamento de Plutão no mapa astral mostra onde encontraremos a complexidade, onde devemos resolver os problemas sozinhos e sem ajuda. No meu, por exemplo, ele está na démima primeira casa, que mostra a capacidade de se ter amigos e a atitude em relação a eles (não fujam, amigos!). Também indica os objetivos e o que mais se deseja na vida (mas logo agora que eu estava acreditando ter encontrado o caminho?!). E meus interesses humanitários? Como ficam? E agora, quem poderá me defender?

Os Thundercats. O que os Thundercats têm com isso? Vamos chamá-los para restaurar a honra e o reino de Plutão? Não. É que outra terrível notícia chega junto com a injusta demissão do pequeno planeta. Os Thundercats podem ganhar novas aventuras na tevê. Que ótimo, não? Não. Boatos (boatos não são notícias) dão conta de que será uma versão infantilóide - ou teenlóide - totalmente modificada.

A ação deverá se passar aqui na Terra, em uma grande cidade (americana, claro!). Snarf será o líder! Todos serão adolescentes!! O Olho de Thundera não será mais exclusividade da Espada Justiceira do Lion-O!!! Mumm-Ra (não confundir com o recente personagem turco interpretado por Lima Duarte) terá asas!!!! E quando não estiverem quebrando o pau, eles serão uma banda de rock!!!!! Emo, provavelmente.

O pior de tudo... fico me perguntando como ficará a Cheetara nessa história. Você, homem na casa dos 30 que está lendo isso, não vá me dizer que nunca teve desejos inconfessáveis por aquela gata! Cheetara foi um dos ícones sexuais da minha adolescência. Se não fosse seu poder de super velocidade, eu teria corrido atrás dela. E nem venha dizer que sou doente ou tarado. Descompensados são os desenhistas que colocam em nossa cabeça essas coisas. Se você só via os desenhos de tevê e não achava a Cheetara assim tão sensual, então dá uma olhadinha na capa da revista americana dos Thundercats aí ao lado.

A visão dessa terrível versão está muito além do meu alcance. Se quiser matar as saudades, clique aqui e veja a abertura dos desenhos que começaram a ser exibidos no Brasil em 1986.

 
Postado em 20 de agosto de 2006, domingo

:: Eu, vítima dos editores

Não é segredo para ninguém que na última década me afastei do jornalismo convencional ou do jornalismo das redações. Também não é segredo que sou um terrível crítico do jornalismo fast food tão em voga nos dias atuais. Sempre preferi o compromisso com a verdade dos bons historiadores. Mas por arianismo e por força da profissão, costumo trabalhar mais rápido que estes. Poderia então me definir como um historiador diletante com tempo de jornalista.

Uma das principais funções que ocupei, em impressos e na Internet, foi a de editor. Não estou falando de um cargo de chefia. Refiro-me ao trabalho braçal do editor: arrumar tudo, cortar para caber, deixar o texto inteligível, etc. E sempre procurei ser muito cuidadoso com esse trabalho. Se, por acaso, não entendo algo em um texto, peço a quem escreveu que me esclareça. Não vou cortando ou modificando como se a pessoa fosse uma incapaz ou um analfabeto. Ainda que.

Mas quase nunca recebo o mesmo tratamento. Uma vez, em matéria de página inteira para o Jornal do Brasil, tive um texto amputado que me fez passar por idiota para quem o leu em Natal. O texto dizia o seguinte: O Museu Casa de Café Filho está instalado no Sobradinho ou Véu de noiva, na Cidade Alta, bairro que concentra a maior parte das casas culturais e de preservação de memória de Natal. Com a edição, Sobradinho ficou parecendo o bairro e Cidade Alta o município onde estaria o referido Memorial.

Em outra terrível ocasião, que nem vale a pena entrar em detalhes, um gênio mexeu em várias partes de um artigo assinado por mim. Tive que me apressar em colocar o texto original na Internet e me desculpar, pela genialidade do pseudo-editor, com as pessoas a quem fazia referência. Mas o caso está tão aquém de uma classificação profissional que nem merece ser lembrado. Trata-se de caso patológico.

Atualmente, colaboro com algumas revistas e jornais do país. Sempre envio os textos prontinhos, revisados, revisados de novo, revisados outra vez, com todos os estilos (itálico em títulos de livros e palavras estrangeiras, etc), chamo atenção para isso e, quando sinto necessidade, aviso que se encontrar algo estranho e não tiver como falar comigo, bota daquele jeito que eu me responsabilizo por minha própria idiotice. O que eu detesto é passar por idiota pela displicência ou pela arrogância de terceiros.

Neste domingo, fui vitimado mais uma vez. Nada grave. Nem tive ganas de matar alguém. Mas começo a achar que existe um complô contra mim, que essas coisas só acontecem comigo.

O jornal O Povo, de Fortaleza, publicou um ótimo material sobre Câmara Cascudo. Matéria, artigos, entrevista com Vicente Serejo. Tudo ótimo. Contribuí modestamente com o envio de algumas imagens do acervo do Memória Viva e com um textículo dando conta do que andam fazendo com a obra e a memória de Cascudo nos dias de hoje, passados vinte anos de seu encantamento.

Tudo bonitinho, mas para não quebrar o costume, atropelaram meus escritos. O simplório título Cascudo - A cada dia, mais vivo se transformou em A cada dia mais leve. Sei que a situação está difícil, que não é uma profissão tão bem remunerada como os outros pensam, mas viu no que dá fazer bico vendendo Herbalife? Fica condicionado. Só pensa em perder peso. Mas tudo bem. Meus amigos do Ceará estão perdoados.

Com vocês, o texto (com o título correto):

Cascudo – A cada dia, mais vivo

Sandro Fortunato

Republicação de toda a obra, dicionário crítico, edição especial de revista, um dos maiores sites dedicados a uma personalidade brasileira, blog com atualização semanal (!), edição luxuosa de Prelúdio da Cachaça pela Confraria dos Bibliófilos do Brasil, peça teatral com seu nome, duas semanas de eventos dedicados aos seus 20 anos de encantamento... Cascudo nunca esteve tão vivo.

Apesar de seu conhecido provincianismo, das recusas de fazer sucesso no Sul Maravilha, Cascudo foi um desses raros brasileiros reconhecidos em vida.

Pudera. Entre livros, plaquetes, traduções, anotações e trabalhos ainda inéditos, foram quase duzentos títulos. Ninguém estudou e publicou tanto sobre cultura brasileira. E nem precisaria de tudo isso.

Vaqueiros e Cantadores, Lendas brasileiras, Contos tradicionais do Brasil, Meleagro, Literatura oral no Brasil, Dicionário do Folclore Brasileiro, Superstições e Costumes, Made in África, História da alimentação no Brasil, Coisas que o povo diz, Prelúdio da cachaça, Locuções tradicionais no Brasil. Doze títulos. Quem não os leu ou não os consultou, não fez o mínimo para se dizer estudioso de cultura brasileira. Agora tente juntar outros doze títulos essenciais e com a mesma qualidade utilizando-se de todos os grandes autores e pesquisadores do gênero. Difícil, não?

O mais fascinante da curiosidade em torno de Cascudo é que o foco está não em sua vida, mas em sua obra. E não se trata de obra literária hermética com margem para estudos pseudo-intelectuais. É um estudo histórico, de costumes, quase sempre in loco. Cascudo foi um grande repórter, na mais pura acepção do termo.

Com a licença de Afrânio Peixoto, sobre Cascudo pode-se dizer que ensinou, escreveu e tudo mais lhe aconteceu. E continuará acontecendo. Ainda nem começamos a estudar sua obra com o desvelo necessário.

Sandro Fortunato é jornalista, editor do site Memória Viva
e “neto honorário” de Cascudo.

Originalmente publicado no caderno Vida & Arte,
do jornal O Povo, em 20 de agosto de 2006

 
Postado em 13 de agosto de 2006, domingo

:: Fidel 80 anos

No início deste ano, me bateu uma vontade louca de ir a Cuba. E só existia uma preocupação: ir antes que Fidel morresse. Mesmo que eu vá hoje, não sei se isso ainda é possível.

Não sei em qual dos dois porta-vozes devo acreditar. Se no Lula, que disse que ele está mal, ou no Chávez, que disse que Fidel está firme e forte. Nenhum inspira grande confiança.

Eu gostaria de ter ido a Cuba logo após a queda de Fulgêncio Batista (quando eu ainda não havia nascido) e agora. Queria ver com meus próprios olhos no que se transformou a Ilha de Fidel, o que restou do sonho romântico da revolução.

Não há estudo que substitua essa experiência pessoal. Se pudesse, seria eternamente um Repórter Esso, testemunha ocular da história. De todas as histórias.

Uma dificuldade comum em pesquisas com periódicos antigos é o entendimento das charges. Você precisa estar muito inteirado do tema para não só reconhecer os personagens como a situação que o desenho satiriza. Em se tratando de história do Brasil, vou numa boa até os anos 1940. Afastando-se mais – 1930, 1920... –, a coisa já começa a complicar. E se sair da História brasileira, nem é preciso ir tão longe no tempo.

Por esses dias, revirando o material que tenho de Appe, me deparei com a charge que ilustra este texto. É de 1962. Fiquei louco por não reconhecer a figura montada em Fidel. Em 1962, o presidente americano era o Kennedy, que obviamente não era o careca no cangote do cubano. O Eisenhower já não tinha nada a ver. Quem eram os ministros de Kennedy? Poderia ser algum deles? Mas aqueles dentinhos... eu conheço aqueles dentes tortos. As dúvidas me consumindo a uma e meia da manhã. Liguei o computador de novo, conectei, vi se Wilson – meu comentador oficial e assessor especial para assuntos históricos nos quais sou completamente ignorante – estava conectado, escaneei a imagem e enviei a ele.

É o Kruschev! Claro que é o Kruschev! Eu sabia que aqueles dentes tortos não eram do Ronaldinho. O premier russo, Nikita Kruschev, conduzindo Fidel a uma experiência que hoje sabemos no que deu.

Ou não. Eu ainda quero ver com meus próprios olhos.

 
Postado em 10 de agosto de 2006, quinta

:: Rolling Stone ganha versão brasileira. Como assim?!!

Leio na Ilustrada, da Folha de S. Paulo, nesta quinta, que a edição brasileira da revista norte-americana Rolling Stone deve chegar às bancas em outubro. Como assim, Bial? Só se for a versão brasileira A&C São Paulo, porque a versão Herbert Richers, nasceu no Rio de Janeiro, em 1972.

Muita hora nessa calma. E um pouco de história. A Rolling Stone foi fundada em San Francisco, em 1967, por Jann Wenner (ainda o editor) e o crítico de música Ralph J. Gleason. Era muito ligada à cultura hippie, mas era visivelmente distante das publicações underground da época. A Rolling Stone nasceu para ser grande, adaptar-se, sobreviver e tornar-se um ícone. E lá se vão mais de mil edições e quase 40 anos.

A revista ganhou uma versão brasileira em 1972. Na capa da número 0, Gal Costa. Na número 1, Caetano. Os grandes ícones mundiais da época também tinha vez: Beatles, Janis Joplin, Jimi Hendrix, Jim Morrison... mas dividiam as glórias – e as capas – com Rita Lee, Jards Macalé, Tom Jobim e Gonzagão. Nada mais Rock’n’Roll do que o Rei do Baião na capa da Rolling Stone.

A experiência durou pouco e os interessados pelo tema não dão, não vendem, não trocam, não nada suas coleções. E eu duvido que essa outra Rolling Stone brasileira repita o fetiche, afinal, será lançada com uma tiragem de 100 mil exemplares. Segundo está na Ilustrada, isso é justificado pelos editores da publicação pela falta de concorrência’”.

Com isso, eu concordo. A RS não é uma revista exclusivamente de música, mas esse é seu carro-chefe. Para os trintões saudosistas – como eu – que passam as páginas da ressuscitada Bizz recitando o mantra Ah, como a Bizz era boa! e não engolem a adolescente Revista da MTV, a RS brasileira poderia ser uma salvação. Poderia. O editor já foi da Revista da MTV e os tempos hoje são outros. Com um retardo empresarial de quatro décadas, a revista aporta em um quintal cultural dos Estados Unidos. Os teens vão adorar. Eu prefiro Outracoisa.

Se eu fosse dono do empreendimento, teria pelo menos um nome certo para dar cara à versão brasileira e seus prometidos 50% de conteúdo produzido aqui: Luiz Carlos Maciel. Se ele peitou a empreitada em 1972, sem condições, e fez o que fez, imagina agora com toda força que a Rolling Stone pretende utilizar. Meu voto vai para ele.

Postado em 7 de agosto de 2006, segunda

:: Desculpe, Appe, eu demorei...

A idéia foi lançada no final de maio, em Campinas. João Antônio me perguntou: Por que você não escreve uma biografia sobre o Appe? Uma idéia ótima. Excelente chargista e artista plástico, Appe andava sumido há décadas.

No dia 5 de julho, recebi uma visita inesperada aqui em Brasília. A recepcionista me liga e diz que o Sr. Antônio estava querendo falar comigo. Sr. Antônio? Sr. Antônio, do Rio. Mandei entrar. Enquanto me encaminhava para a porta, fiquei pensando se não seria o Accioly. Era ele mesmo. Antes de ir para o aeroporto e retornar ao Rio, resolveu passar para dar um alô. Antônio é filho de Accioly Netto, diretor de redação da revista O Cruzeiro por quase 40 anos. Aproveitei para perguntar se tinha notícias do Appe.

Salvo engano, acho que Appe morreu há uns quinze dias, disse ele.

Eu não podia acreditar. Ele disse que não tinha certeza, pois estava viajando e tinha visto algo no Globo Online sobre a morte de um desenhista de O Cruzeiro. Fui procurar. Foi o Fritz Granado que havia morrido. Morreu no dia 26 de junho. Granado foi o último desenhista do Amigo da Onça nos últimos anos da revista.

Na semana seguinte, falando com Ziraldo ao telefone, perguntei por Appe. Disse que há alguns anos não tinha contato com ele, que devia estar morando em Teresópolis. Passou um telefone. Liguei. Uma mensagem dizia para consultar a lista. A companhia telefônica não soube dar um novo número.

Liguei para Jal, cartunista e senhor de todos os números dos artistas gráficos do país. O número que tinha era o mesmo. Pedi que ficasse alerta, que me passasse qualquer informação. No dia seguinte, liguei para todos os Pedrosa que moravam em Teresópolis. Mais de quarenta. Nada. Nenhum era parente do Appe. Nenhum sabia quem ele era.

Liguei para os colegas jornalistas de Teresópolis. Wanderley Peres, editor de O Diário de Teresópolis, prometeu ajudar. Pediu três ou quatro dias. No final do prazo, me ofereceu um espaço no jornal. Algo do tipo Por onde anda Appe?. Muito agradecido, fiquei de enviar.

Passado um mês, Appe não saiu de minha cabeça um único dia. Falei com colegas do Jornal do Brasil, da Folha de S. Paulo... Qualquer notícia seria bem-vinda.

Menos a que o Jal me deu na noite de segunda.

Amilde Pedrosa, o Appe, morreu na sexta, 4 de agosto, aos 86 anos. Tinha a mesma idade e morreu no dia do aniversário de meu avô Moacyr. Estava morando em São Pedro da Aldeia.

Desculpe, Appe, eu demorei. Prometo me empenhar mais em meu ofício. Ser mais rápido e competente. Como seus traços.

 
Postado em 1º de agosto de 2006, terça

:: Da série "Anúncios premonitórios" - Varig - 1969

Anúncios da Varig nas primeiras edições de O Pasquim, em 1969. Será que daria para usar hoje?

 
 
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